
Informativo
do Sindicato dos Administradores de SC
Ano IX - Nº 55 - Setembro/Outubro de 2002
Editorial
Um passo adiante....
O Brasil
votou para mudar. A esperança venceu o medo e o eleitorado
decidiu por um novo caminho para o país. As eleições
que acabamos de realizar foram, acima de tudo, uma vitória
da sociedade brasileira e de suas instituições
democráticas, uma vez que trouxeram a alternância
no poder, sem a qual a democracia perde a sua essência".
Estas foram as primeiras palavras do presidente eleito, Luiz
Inácio Lula da Silva, em seu primeiro pronunciamento
depois das eleições. Para os sindicatos e em especial
para todos os trabalhadores brasileiros, há na eleição
de Lula a esperança de uma distribuição
de renda mais justa e do crescimento econômico brasileiro,
com ações que possam conciliar os interesses da
indústria nacional, dos investimentos estrangeiros e
dos trabalhadores, tanto os que hoje lutam para manter-se empregados
quanto daqueles que engrossam as fileiras dos 11 milhões
de desempregados.
Sabe-se que o governo Lula não poderá transformar
o Brasil da noite para o dia, como ele próprio, sensatamente,
tem anunciado. Mas já neste seu primeiro pronunciamento
percebe-se suas intenções de fazer as reformas
que o país precisa e de não decepcionar o povo.
Ao anunciar a criação da Secretaria de Combate
à Fome, Lula explicita sua preocupação
social. Ação que não obstante críticas,
foi bem vista por cientistas políticos e pelo próprio
presidente em exercício, Fernando Henrique Cardoso, indicando
"um caminho de responsabilidade". Os três governadores
eleitos no Sul e a maioria dos demais eleitos, anunciam seu
apoio ao novo Governo Federal, acreditando no pacto social proposto
por Lula. Enfim, também o Saesc acredita no novo governo:
pela origem do presidente, por sua contribuição
ao movimento sindical e política brasileira e por fazer
nosso país entrar na história mundial ao eleger
um operário presidente, conhecedor da realidade em todas
as regiões do país, num processo pacífico
e tranqüilo, tida até o momento, como a maior eleição
do mundo.
Contudo é preciso que este pacto social seja um compromisso
sério não só do novo governo, mas de todos
os brasileiros. Só assim o país conseguirá
de fato garantir a distribuição de renda, ter
uma administração pública eficaz e realizar
as reformas anunciadas pelo presidente eleito: da previdência
social, tributária, da legislação trabalhista,
da estrutura sindical, a reforma agrária e a reforma
política. O Saesc espera que o novo Governo da República
e o próprio Governo do Estado, tenham vontade política
e coragem para implementar suas propostas de desenvolvimento
econômico, político e social. O primeiro passo
foi dado. Cabe a todos nós agora contribuirmos neste
caminho.

Administradores da Tractebel definem
pauta
No dia 22 de outubro os administradores da Tractebel fecharam
sua pauta de reivindicações para o ACT 2002/2003,
contendo 19 cláusulas. A primeira solicitação
dos administradores será a manutenção e
revalidação dos Acordos Coletivos de Trabalho
2000/2001 e 2001/2002 para vigorar por mais dois anos. Os reajustes
salariais, pedem os administradores da Tractebel, deverão
acontecer a partir de novembro de 2002, pelo valor resultante
da aplicação integral do INPC - Índice
Nacional de Preço ao Consumidor. A pauta prevê
a preservação dos aumentos ocorridos no período
de novembro de 2001 a outubro de 2002 a título de mérito,
promoção, transferência e implemento de
idade e aumento real de 1,5%. Outra reivindicação
salarial é no auxílio refeição/alimentação.
Os administradores pedem o aumento do ticket para R$ 16,00 o
valor unitário, abrangendo todos os meses do ano.
Quanto à Participação nos Resultados, os
administradores pedem na pauta o pagamento no mínimo
de uma remuneração mensal do empregado, independente
do lucro líquido da empresa no exercício 2002.
Reciclagem tecnológica também está contemplada
na pauta de reivindicações. A idéia é
que a Tractebel adote uma política de treinamento e aperfeiçoamento
técnico, onde a empresa deverá garantir ao menos
12 dias úteis por ano para treinamento de cada profissional,
assim como criará mecanismos que possibilitem a adequada
inovação tecnológica do quadro técnico
e a transferência de conhecimento nas várias áreas.
Uma inovação na pauta é a cláusula
de estágio para formandos, onde a Tractebel deverá
contratar como estagiários, alunos em final do Curso
de Administração. Há ainda cláusulas
prevendo assistência jurídica para o empregado
que estiver respondendo judicialmente em decorrência de
suas atividades e para estabilidade provisória aos empregados
que necessitam de até 36 meses para aquisição
de aposentadoria por tempo de serviço. Os administradores
querem ainda a liberação de um dirigente sindical
para atuar no Saesc.
A pauta já foi entregue à Direção
da Tractebel pelo representante do Saesc na empresa, Dori da
Silva Cândido. As reuniões de negociação
acontecerão em novembro.

Eleições
na Celos serão dia 19 de novembro
A Intersindical dos Eletricitários de Santa Catarina
apresentou os seus
candidatos para concorrerem a duas importantes diretorias da
Fundação Celos: a Diretoria Administrativo-Financeira
e a Diretoria de Seguridade. A eleição será
dia 19 de novembro. Os candidatos da Intercel são Sary
Reny Köche Alves, para a Diretoria Administrativo-Financeira
e Aramis Luiz de Novaes para a Diretoria de Seguridade.

Participação
dos trabalhadores na Celos
Desde a sua criação em setembro de 1973, a Fundação
CELOS tem seguido uma trajetória marcada por mudanças,
evoluindo em diversos aspectos, seja pela legislação,
seja por amadurecimento dos seus gestores, fomentando a discussão
dos problemas no âmbito do Conselho de Curadores e da
Diretoria Executiva. Os avanços sempre foram na direção
do aprimoramento do processo democrático de decisão:
1974 - uma deliberação da Celesc permitiu a participação
de um aposentado no Conselho;
1988 - outra deliberação destinou três vagas
para os ativos e uma para aposentados;
1989 - foi indicado um representante da APCELESC e os ativos
elegeram o seu primeiro representante.
1991- dois trabalhadores apoiados pelos sindicatos foram eleitos
para o Conselho de Curadores
1992 - por força de Acordo Coletivo de Trabalho três
representantes dos empregados foram nomeados;
1993 - inicia a reforma estatutária da CELOS, já
com forte participação dos representantes eleitos
que sucederam-se nas eleições de 95, 97 e 99.

PERDA
Com pesar o Jornal do Saesc registra o falecimento da funcionária
do sindicato, Alessandra Marsura, ocorrido no dia 21 de setembro
deste ano. Alessandra, que trabalhava no Saesc há doze
anos, foi vítima de pneumonia. Deixou marido, uma filha
de quase dois anos e muitas saudades a todos os que a conheciam.

BSC
Exhibition
No dia 12 de novembro acontecerá
em Joinville o BSC Exhibition, para apresentar aos empresários
catarinenses a metodologia do Balanced Scorecard (BSC) - uma
das práticas de gerenciamento mais importantes dos últimos
75 anos. As inscrições são gratuitas e
limitadas e poderão ser feitas pela internet: www.fiber.com.br

Palestras
O administrador Adilson Martins está ministrando uma
série de palestras sobre Conflito e Mediação.
Em outubro o tema foi grafologia e em novembro será sobre
criatividade. As atividades acontecem na sede da Fundasc - Fundação
dos Administradores de Santa Catarina - Rua Tiradentes, 136
- sala 101, em Florianópolis. O telefone é 48
223-3855 e o e-mail fundasc@crasc.org.br

ARTIGO
Formação e empregabilidade
A empregabilidade é um tema recente de preocupação
tanto de estudiosos
das organizações quanto dos gerentes de linha
de qualquer empresa. É um assunto tão em voga
que grandes economistas, muitos de renome internacional, como
Ohmae (1997), têm empreendido explicações
para esclarecer os prováveis grandes impactos que a questão
do emprego poderá trazer não só para as
chamadas economias desenvolvidas, mas principalmente para aquelas
que ainda não atingiram um patamar de bem-estar próprias
do chamado primeiro mundo, como é o caso da Comunidade
Valenciana e da região de Santa Catarina no Brasil.
A busca pela competitividade entre as nações,
que Peters (1997) é um dos maiores arautos, tem produzido
uma inversão na célebre preocupação
econômica do chamado "pleno emprego", onde dever-se-ia
buscar formas de alcançar um índice de desemprego
o mais próximo possível de zero. A nova concepção
de empregabilidade é justamente essa inversão,
ou seja, não se busca mais um patamar de pleno emprego
em todos os setores econômicos, mas um patamar ideal de
ajuste entre a capacidade de geração de tecnologias
e conhecimento que possam ser incorporadas rapidamente aos ambientes
organizacionais. E isso terá, inevitavelmente, uma grande
repercussão no interior das organizações.
Alicerçadas na noção do pleno emprego e
suas ramificações, as técnicas e métodos
de gestão de Recursos Humanos se vê numa grande
encruzilhada, típica de períodos críticos:
ou segue os antigos padrões de gestão ou procura
novas formas de gerir o sistema de pessoal; ou segue as técnicas
antigas de seleção, recrutamento, desenvolvimento
e avaliação de desempenho ou terá que se
aventurar em redesenhar este sistema de forma a adequar-se às
novas modalidades competitivas mercadológicas. (...)
O mundo da estabilidade e da segurança parece, conseqüentemente,
ter ficado para trás e somente agora as organizações
dos países em desenvolvimento parecem ter-se dado conta.
Outrora sinônimo de segurança individual e certeza
de um futuro relativamente promissor, os chamados "bons
empregos" têm se volatilizado, de forma que a questão
de permanência ou não dos indivíduos na
chamada população economicamente ativa é
um processo que tem que ser redesenhado continuamente não
só pelas organizações, mas principalmente
pelo próprio indivíduo que quer se manter no mercado
de trabalho. Dessa forma, a empregabilidade é um tema
que apresenta uma série de nuanças que indicam
a necessidade de se tomar a capacidade de emprego como negócio
próprio que precisa ser bem gerido e desenvolvido.

ADMINISTRADOR
Um cargo essencial na organização
Edison Luiz
de Oliveira
Administrador, Contador e Professor Universitário
"Administrador
é a pessoa encarregada de gerir, comandar, coordenar
e controlar os negócios"
Visando
atingir suas necessidades, o homem buscou através da
produção, o preenchimento dessa exigência.
Criou-se a empresa e com ela os mecanismos para um bom gerenciamento
das diversas atividades pertinentes.
Para que uma atividade de negócios, quer pública
ou particular, tenha sucesso nessa diligência, é
imprescindível o conhecimento de um conjunto de princípios,
normas e funções específicas. Surge a figura
do administrador que é a pessoa encarregada de gerir,
comandar, coordenar e controlar os negócios, advindo
dessa atividade.
Para tanto
o ato de administrar uma empresa, em seus diversos segmentos,
requer um perfil firme, consistente e preparado para as mudanças.
É sua obrigação de saber, por exemplo,
como ordenar os fatores de produção e também
o controle de sua produtividade e eficiência.
O objetivo disso tudo é obter um determinado resultado.
Muitos empreendedores perdem o foco quando no exercício
de suas atividades e os resultados são desastrosos. Para
ilustrar pretendemos, de forma resumida, parodiar a estória
da Arca de Noé, muito divulgada nos cursos de graduação
que diz: "Absalão era um homem que se podia conceituar
como justo. Era um estudioso e quando repetia aos sábios
dizendo que os lados de um quadrado eram iguais, realmente tornava-se
difícil entendê-lo. Dos seus 65 anos de idade,
a maior parte havia dedicado à arte da guerra, onde conceitos
técnicos e científicos eram aplicados. Particularmente,
era um apaixonado pela organização das forças
de combate e o uso de armas avançadas, tais como: lanças
de grande alcance, setas orientadas e na última novidade
bélica: o lançador de pedras. Era um verdadeiro
general.
Com o avanço da idade e o aumento correspondente da sabedoria,
Absalão também se preocupava com assuntos humanos,
os quais, porém, o pertubavam um pouco. O Criador já
não era reverenciado, como no seu tempo, os filósofos
eram ridicularizados. Havia uma inversão completa na
política, acreditava-se mais na energia e na estúltica
dos jovens, do que na ponderada e segura orientação
dos mais velhos. Certa vez, Absalão ouviu a voz do Criador
dizendo que o mesmo não estava contente com os homens.
Eles estão politizados e guerreiam entre si e só
defendem os interesses pessoais. O trinômio: Adão,
Eva e Cobra, deu nisso ai ...Farei chover por 40 dias e 40 noites,
até cobrir a terra de água. Isso será conhecido
como o "dilúvio". Vou matar todo mundo, porém
quero uma nova humanidade, nascida de um homem inteligente,
prático e com objetivos. Vá e construa um barco
para você e sua família e coloque dentro, um casal
de cada ser vivo. Você terá 4 meses para esse empreendimento.
Meu contato com você será doravante o Arcanjo Gabriel,
que costumam chamar de "Ministro de Deus" e desapareceu.
Absalão levantou-se lívido. O Criador elegera-o
gerador da nova humanidade. Todas as suas idéias seriam
propagadas para o futuro.
Todavia, Absalão nada conhecia de barcos, nem de navegação,
porém não discutiria para não perder a
grande oportunidade dada pelo Criador. Abasalão era um
sexagenário e estava difícil de ganhar a vida
com o status de que se achava merecedor. Era preciso, dentro
de 4 meses, resolver um problema técnico: construir um
enorme barco. Que objetivo. Absalão provaria que era
capaz de salvar a humanidade com a sapiência dos mais
velhos, usando a energia dos mais jovens. Absalão seria
o coordenador do empreendimento e contratou um engenheiro chamado
Noé, que seria o elemento técnico.
Posteriormente foram contratados o especialista em pessoal,
finanças, controladoria e segurança. Adquiriu-se
uma cabana de madeira, já com divisórias e tapetes
para colocar todos os funcionários. A operação
foi iniciada em grande escala e com ela surgiram os problemas
administrativos Criou-se diversos grupos de trabalhos, que não
focaram sua ação para a missão do empreendimento.
O atraso foi inevitável e despediram Noé, no "interesse
da empresa". Este convidou cinco companheiros, formando
uma nova equipe motivada com o objetivo de construir um barco
para uma vida melhor em outras terras. Nuvens pesadas cobriam
os céus. Absalão não conseguiu nova prorrogação
de prazo. E começou a chover. Ele viu um barco descendo
o rio e na proa estava escrito: Arca de Noé".
Conclui-se que
para administrar um empreendimento, não se pode desprezar
o objetivo. Estabelecer a missão da empresa é
importante e fundamental para o sucesso.
