Informativo do Sindicato dos Administradores de SC - Ano X - Nº 62 - Nov/Dez de 2003


Os desafios sociais da integração Andresa Tatiana Achar
Saiba como contribuir com o SAESC
 O que esperar para o Brasil em 2004
Ano termina sem fechamento de todos acordos  
   

Os desafios sociais da integração

Historicamente os administradores catarinenses discutem as repercussões das integrações sociais e comerciais através dos blocos econômicos.

No início do mês de novembro três diretores do Saesc participaram do VIII Fórum Internacional de Administração - FIA, realizado em Lisboa, Portugal. O evento, que foi uma promoção do CRA/SC em parceria com o CFA e o CRA/RS, discutiu neste ano a GESTÃO GLOBAL. Houve diversos debates que abordaram desde assuntos que extrapolam a atuação dos administradores, como as privatizações, o protecionismo e a abertura de mercados, a gestão global da Comunidade Européia e o Mercosul, passando por temas que dizem respeito diretamente à atuação profissional, como responsabilidade social, inteligência competitiva, teletrabalho, seguridade interna, políticas educacionais e empregabilidade. Todos temas aparentemente modernos, mas que há mais de uma década já estão na pauta dos administradores catarinenses.
A prova disto foi a realização da 2ª edição do FIA, em 1991, ocorrido em Florianópolis. Há mais de dez anos atrás na pauta já estavam os aspectos administrativos e gerenciais da integração político-econômica do Cone Sul. Afinal, a idéia da livre circulação de mercadorias, pessoas e capitais na América do Sul e agora, em escala mundial, existe há mais de um século. No encontro realizado na capital catarinense, o então presidente da Fiesp, Mário Amato, comentou que "a integração do Cone Sul só tornou realmente viável a partir do momento em que se restabeleceram nesta parte do continente as liberdades democráticas" (Suplemento Especial II FIA, 4/9/1991). Já o então l º Secretário da Delegação da
Comissão das Comunidades Européias no Brasil, Ministro Leonello Gabrici, disse que a finalidade da Comunidade Européia seria a construção de uma verdadeira união.
Transportando este pensamento para a era do conhecimento em que vivemos atualmente, percebemos que ainda há muitos desafios a serem superados para que as integrações entre países tragam de fato resultados positivos não só sob o aspecto econômico, mas sobretudo, social. O FIA deste ano ocorrido em Portugal apontou a necessidade da responsabilidade social aliada ao crescimento econômico. Este é um tema que a hoje instituída comunidade européia ainda não conseguiu equalizar. Por exemplo: na França os trabalhadores têm uma jornada de 35 horas semanais, o que não acontece nos demais países da comunidade. Tal política nacional está sendo pressionada pelos demais parceiros a retroceder para que todos possam atuar em "iguais condições". Fica a questão: por que a França, que num curto espaço de tempo gerou mais de 500 mil empregos com a redução da jornada tem que sacrificar sua população e não os demais países promoverem o aumento do emprego?
Outro ponto que ainda precisa ser resolvido na comunidade européia é a moeda única. Se cada país tem uma economia própria, como igualar os valores de um mesmo produto em toda a Europa? Outro exemplo: se em alguns países a política nacional preza pela universalização da energia e controle estatal, como impedir a entrada de empresas da comunidade européia para atuar no setor?
Tais questões mostram que a integração entre os países, se por um lado facilita as exportações reduzindo o protecionismo e colocando todos em igualdade de condições para o mercado externo, há ainda muito o que se resolver para que a população de cada nação também tenha ganhos e não prejuízos. E na solução desta equação o papel dos administradores é fundamental. Daí a importância de eventos como o FIA.

Os diretores do SAESC José Rosnei de Oliveira Rosa Maristela Sombrio Godoy, Mário César Silva e Acênio Patrício participaram do VIII FIA em Portugal

Saiba como contribuir com o SAESC

O Conselho Regional dos Administradores é um órgão fiscalizador e não estar em dia com as obrigações financeiras desta  entidade implica em exercício ilegal da profissão, com medidas punitivas prescritas no Código Penal. Além   disso o registro no CRA é obrigatório a todo administrador que exerça sua profissão.

O caso do Saesc é diferente.Tornar-se sócio do sindicato não é uma obrigação, mas questão de opção, consciência de classe, união e de fortalecimento da categoria.A sustentabilidade financeira do sindicato pode acontecer das seguintes formas:

Contribuição Voluntária, em forma de mensalidade ou anuidade cobrada através de boleto bancário que o administrador recebe por correio. Esta cobrança está definida no artigo 545 da CLT e só é feita mediante autorização do administrador ou via bancária. Seu valor é definido pela assembléia geral da categoria. Esta é a única forma de manutenção do Saesc (veja tabela de valores da anuidade abaixo). Dos associados do Saesc não cobra contribuição confederativa.

Contribuição Sindical ou, como é popularmente conhecida, "imposto sindical", é uma cobrança compulsória, definida por lei deste a constituição de 1937. Esse é um dos pontos da reforma sindical que o governo enviará ao congresso nacional. Este imposto tem caráter parafiscal ( tributário) e é devido por todos os trabalhadores empregados, autônomos e profissionais liberais e também pelos empregadores. Para o trabalhador empregado, o valor do imposto sindical corresponde a um dia de trabalho no mês de março. Os profissionais liberais
(administradores, economistas, engenheiros e outros) tem
a opção de pagar este imposto através de guia remetida em fevereiro pelo correio. Os administradores que pagam a anuidade do Saesc até 30 de janeiro, recebem esta guia quitada.

Há ainda a Contribuição Confederativa, que é destinada exclusivamente para os órgãos representativos de cada categoria repartida entre sindicato, federação e, quando houver, confederação. Esta contribuição foi criada pela constituição federal de 1988. Seu valor é fixado por assembléia geral, devendo ser pago apenas pelos associados da entidade. Neste caso o desconto independe de autorização individual.

Por fim o sindicato também pode promover um Desconto Assistencial, chamado de "taxa assistencial" ou de "reversão sindical". Geralmente ocorre por ocasião da  aprovação de convenção ou acordo coletivo de trabalho pela assembléia geral. É comum que este desconto que acontece por um prazo determinado, conste em cláusula de convenção ou acordo coletivo, incidindo sobre associados e não associados, mas depende de expressa autorização de ambos ou que não haja oposição ao desconto. A taxa assistencial também pode ser instituída pela assembléia para outros fins que não salariais, como para aquisição de sede própria, de terrenos para construção de área de lazer, constituição de fundo de greve e o que mais a categoria julgar necessário para a entidade.

Neta época do ano os sindicatos voltam a organizar suas finanças, definindo os prazos de pagamento das mensalidades e anuidades.
No caso do Saesc, mais uma vez é preciso diferenciar as formas de contribuição à entidade que o associado pode fazer. Vale lembrar que a contribuição ao sindicato não tem nenhuma relação com o que exige CRA-Conselho Regional de Administração.

VALORES DA ANUIDADE PARA 2004

Pagamento até 30/12/2003

R$ 110,00

Pagamento até 30/01/2004

R$ 120,00

Pagamento até 27/02/2004

R$ 130,00

Pagamento até 31/03/2003

R$ 140,00

Pagamento após 31/03/2003

R$ 150,00 + 1 %

                                                 

Valor da mensalidade para 2004 - 0,5 % da remuneração fixa (desconto em folha)

Valor do imposto sindical - R$ 60,80 ( guia será quitada para trabalhadores que pagarem anuidade até 30/01/2004

Valor da contribuição confederativa - igual a anuidade (R$ 150,00)

Contribuições para o Saesc não podem ser confundidas com as do CRA. Ao receber um boleto bancário, verifique para quem será feito o pagamento.

Ano termina sem fechamento de todos acordos

Mesmo passados os períodos de data-base, o SAESC, juntamente com sindicatos de outras categorias, continuaram suas atividades sindicais no sentido de garantir aos administradores as melhores negociações possíveis nos acordos e dissídios coletivos. A atuação do Saesc na representação dos administradores catarinenses nos mais diversos processos de negociação salarial mostra a importância que o sindicato dá para a valorização da profissão num momento em que se empenha pela melhoria das condições de trabalho.
Para que estas expectativas dos diretores da entidade sejam sempre consolidadas, faz-se necessáúo que os administradores unam-se em tomo do SAESC, permanecendo como associados e participando ativamente dos movimentos da categoria.
Vejamos como estão os processos de negociação até o me de dezembro:

AGRICULTURA
O Sindicato dos Administradores integra a Intersa - Intersindical da Agricultura, formada por oito entidades. Este coletivo representa os trabalhadores da EPAGRI, CIDASC, ICEPA e CEASA. Os acordos coletivos para estas empresas foram assinados com a participação pessoal do governador do Estado, Luiz Henrique da Silveira, depois de longos meses de negociação. No acordo ficou acertada a implementação e implantação de um Plano de Cargos e Salários a partir de março de 2004. Além dessa conquista que terá acesso automático nos casos de antigüidade, os sindicatos conseguiram um reajuste dos salários e do vale alimentação, com o limite de 12,89%. "Vale lembrar que os acordos coletivos com a EPAGRI, CIDASC, ICEPA e CEASA só foram assinados graças à intensa mobilização das diversas categorias vinculadas à agricultura, o que demonstra que somente com muita luta e união é que se buscam as conquistas almejadas", ressalta José Nascimento, diretor do Saesc que representou o sindicato nestas negociações.

CASAN

O dissídio coletivo foi julgado pelo Tribunal Regional do Trabalho e o SAESC aguarda a publicação do acórdão, para que possa decidir sobre o que fazer a respeito do dissídio ou um possível acordo com a CASAN.

TELEFONIA

As pautas de reivindicações foram entregues à Telesc Celular e à Tele Celular Sul neste mês de dezembro em virtude da data-base. O SAESC, juntamente com os demais sindicatos de categorias diferenciadas, permanece na expectativa das negociações com estas empresas. Em carta encaminhada ao representante das duas empresas de telefonia, os sindicatos propuseram uma data para início das negociações ainda no decorrer de dezembro, mas até agora não obtiverarn resposta.


ELETROSUL

Como fruto das negociações entre a ELETROSUL e a INTERSUL Intersindical dos Eletricitários do Sul do Brasil, no mês de dezembro serão implementadas importantes melhorias para os trabalhadores. Essas melhorias somam-se às já praticadas no decorrer de 2003. Na folha de pagamento em dezembro, os empregados receberão os níveis salariais decorrentes da segunda parte prevista no acordo com os representantes da categoria. Essa forma de distribuição dos ídices permitiu a redução da diferença entre o maior e o menor salário praticado na ELETROSUL.
Ainda em dezembro, todos os trabalhadores receberão um bloco a mais do vale alimentação ou o valor equivalente a um mês do benefício creditado em seus cartões. Outra importante mudança é a proposta, já apresentada pela ELETROSUL aos sindicatos, de distribuição da PLR (Participação nos Lucros e Resultados), com 50% de forma linear e 50% de forma proporcional a partir de 2004.

Entrevista Andreza Tatiana Achar
Prêmio Saesc universitádo 2003/1

Em outubro aconteceu a primeira edição do Prêmio Saesc Universitário, que concedeu a melhor aluna do curso de Administração da UFSC (de acordo com o índice de aproveitamento acumulado) formada no primeiro semestre deste ano a quantia de R$ 800,00 em dinheiro e um certificado pelo reconhecimento de seu esforço acadêmico. Nesta edição, o jornal do Saesc entrevista Andreza, vencedora do prêmio.

O que a motivou cursar administração 1 e com que área você mais se identifica?
Minha família possui duas empresas e eu sempre trabalhei com eles. No momento de escolher um curso, logo pensei em administração, não só pelo fato de que seria útil para mim, mas também por me identificar com as tarefas que eu desenvolvia. Após as várias disciplinas estudadas no curso, o que mais me chamou atenção foi planejamento estratégico e administração financeira.

Fez estágio antes de se formar? Já está trabalhando ?
Sim, em uma das empresas da família. Possuímos uma franquia de cursos de idiomas e continuo trabalhando com eles, embora tenha interesse em continuar os estudos e fazer mestrado.

Como você recebeu Prêmio Saesc Universitário?
Foi realmente uma surpresa, não só para mim, mas também para meus colegas. Nem imaginávamos que poderia haver este prêmio. Encaro como um grande incentivo e até mesmo uma recompensa por tanto trabalho e dedicação dispensados aos estudos.

Já tem registro no CRA? Conhece a organização dos administradores catarinenses, tanto através do CRA quanto do Saesc?
Ainda não me registrei no CRA.
Tivemos pouca informação referente ao CRA e o sindicato.
Apenas um professor no final do curso comentou sobre o CRA.
Acho interessante que no final do curso os alunos recebam maiores informações de como podem ser beneficiados por tal registro e filiação.

Como você acha que a administração,através do seu trabalho, poderá ajudar na transformação social do país?
A administração é uma das poucas profissões que atua num amplo leque de atividades. Desta forma, há a oportunidade de contribuir para uma melhor sociedade de várias maneiras. Direta ou indiretamente, a administração trabalha com pessoas e todos estão envolvidos em ajudar a transformar o país. Tem-se falado muito em responsabilidade social, em que empresas utilizam seus esforços e recursos para ajudar outros sem requerer nada em troca. Tais empresas não apenas merecem reconhecimento, mas também são dignas de terem seu modelo seguido por outras, sejam estas grandes ou pequenas. Há a tendência de deixar que os outros façam a sua parte, mas cada administrador pode analisar o que ele individualmente ou sua empresa podem fazer a fim de ajudar na transformação social do país.

O que esperar para o Brasil em 2004

O mês de dezembro, por ter um caráter festivo, é o menos adequado para realizar uma reflexão das coisas que passaram e das coisas que estão por vir. Por misturar razão e emoção, em dezembro fica difícil separar o passado (não tão distante) do momento presente, em que o apelo comercial busca capturar parte dos R$ 36 bilhões oriundos do 13 º salário que, segundo estima o DIEESE, esteja circulando na economia. Apenas em Santa Catarina esta captura é de R$ 1,34 bilhão, considerando os assalariados com carteira assinada e os aposentados e pensionistas do INSS.
Por outro lado, por mais que o momento seja festivo, não dá para esquecer que 2003 foi um ano bastante difícil em termos econômicos, mesmo que, em termos políticos, a esperança da maioria dos brasileiros fosse renovada. O contexto em que o ano de 2002 foi concluído já não permitia uma perspectiva muito positiva para 2003. Entre a renovação da esperança, na dimensão política, e a possibilidade de tragédia, na dimensão econômica, ficou-se no meio termo: vendo as variáveis macroeconômicas serem controladas, mas com muita insatisfação por não ver as coisas mudarem na forma em que a maioria desejava.
Uma avaliação corrente no meio econômico, na qual me insiro, avalia que, dado os riscos apresentados pelo descontrole econômico ao final de 2002, combinado com os compromissos do novo governo de não
romper contratos, o país ficou com pouca alternativa de inovação na condução da política econômica, limitando-se a, adoção do mesmo receituário já conhecido em oito anos do governo anterior. Apesar da maioria dos indicadores econômicos ter melhorado em 2003 particularmente, câmbio, inflação, juros e risco país - a taxa de desemprego manteve-se em elevação, a economia permaneceu estagnada e a renda do assalariado continuou em queda.
A perspectiva para 2004 é o de que todo o esforço realizado pelo país em 2003 produza espaços para a adoção de uma política econômica mais ousada que estimule a atividade produtiva e interrompa o crescente gasto do governo na esfera financeira. É incompatível crer na retomada sustentável do crescimento econômico a partir de uma política econômica que transfere quase 10% da renda nacional para as camadas rentistas da sociedade, em particular os banqueiros.
O reforço da esperança em 2004 somente acontecerá a partir de ações mais incisivas do governo federal. Absolutamente nada impedirá, que continuemos no ciclo "stop and go " do governo anterior caso não se aproveite a atual calmaria relativa nos indicadores macroeconômicos para rediscutir a política econômica e o papel do Estado brasileiro, com o objetivo de reduzir as profundas e ainda crescentes desigualdades no país. É preciso impedir que o controle atual das variáveis macroeconômicas sirva de argumento para manter o atual receituário com a ingênua avaliação de que o que aconteceu nos anos anteriores não se repetirá daqui pra frente. O Brasil continua sendo um país extremamente desigual, carente de serviços públicos e dependente do mercado financeiro internacional, o que o mantém sob constante instabilidade.

Não podemos desconsiderar aIgumas ações do novo governo na perspectiva de estimular a construção de um novo país. Entretanto, não se pode negar que ações pontuais são necessárias, mas insuficientes frente aos desafios apresentados. Dessa forma, 2004 pode se transformar num ano estratégico e especial para verificar se continuaremos assistindo mais do mesmo ou se de fato a esperança será reativada entre os brasileiros.

 



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