Os
desafios sociais da integração
Historicamente
os administradores catarinenses discutem as repercussões
das integrações sociais e comerciais através
dos blocos econômicos.
No
início do mês de novembro três diretores do
Saesc participaram do VIII Fórum Internacional de Administração
- FIA, realizado em Lisboa, Portugal. O evento, que foi uma promoção
do CRA/SC em parceria com o CFA e o CRA/RS, discutiu neste ano
a GESTÃO GLOBAL. Houve diversos debates que abordaram desde
assuntos que extrapolam a atuação dos administradores,
como as privatizações, o protecionismo e a abertura
de mercados, a gestão global da Comunidade Européia
e o Mercosul, passando por temas que dizem respeito diretamente
à atuação profissional, como responsabilidade
social, inteligência competitiva, teletrabalho, seguridade
interna, políticas educacionais e empregabilidade. Todos
temas aparentemente modernos, mas que há mais de uma década
já estão na pauta dos administradores catarinenses.
A prova disto foi a realização da 2ª edição
do FIA, em 1991, ocorrido em Florianópolis. Há mais
de dez anos atrás na pauta já estavam os aspectos
administrativos e gerenciais da integração político-econômica
do Cone Sul. Afinal, a idéia da livre circulação
de mercadorias, pessoas e capitais na América do Sul e
agora, em escala mundial, existe há mais de um século.
No encontro realizado na capital catarinense, o então presidente
da Fiesp, Mário Amato, comentou que "a integração
do Cone Sul só tornou realmente viável a partir
do momento em que se restabeleceram nesta parte do continente
as liberdades democráticas" (Suplemento Especial II
FIA, 4/9/1991). Já o então l º Secretário
da Delegação da Comissão das
Comunidades Européias no Brasil, Ministro Leonello Gabrici,
disse que a finalidade da Comunidade Européia seria a construção
de uma verdadeira união.
Transportando este pensamento para a era do conhecimento em que
vivemos atualmente, percebemos que ainda há muitos desafios
a serem superados para que as integrações entre
países tragam de fato resultados positivos não só
sob o aspecto econômico, mas sobretudo, social. O FIA deste
ano ocorrido em Portugal apontou a necessidade da responsabilidade
social aliada ao crescimento econômico. Este é um
tema que a hoje instituída comunidade européia ainda
não conseguiu equalizar. Por exemplo: na França
os trabalhadores têm uma jornada de 35 horas semanais, o
que não acontece nos demais países da comunidade.
Tal política nacional está sendo pressionada pelos
demais parceiros a retroceder para que todos possam atuar em "iguais
condições". Fica a questão: por que
a França, que num curto espaço de tempo gerou mais
de 500 mil empregos com a redução da jornada tem
que sacrificar sua população e não os demais
países promoverem o aumento do emprego?
Outro ponto que ainda precisa ser resolvido na comunidade européia
é a moeda única. Se cada país tem uma economia
própria, como igualar os valores de um mesmo produto em
toda a Europa? Outro exemplo: se em alguns países a política
nacional preza pela universalização da energia e
controle estatal, como impedir a entrada de empresas da comunidade
européia para atuar no setor?
Tais questões mostram que a integração entre
os países, se por um lado facilita as exportações
reduzindo o protecionismo e colocando todos em igualdade de condições
para o mercado externo, há ainda muito o que se resolver
para que a população de cada nação
também tenha ganhos e não prejuízos. E na
solução desta equação o papel dos
administradores é fundamental. Daí a importância
de eventos como o FIA.
Os diretores do SAESC José Rosnei
de Oliveira Rosa Maristela Sombrio Godoy, Mário César
Silva e Acênio Patrício participaram do VIII FIA
em Portugal
Saiba
como contribuir com o SAESC
O
Conselho Regional dos Administradores é um órgão fiscalizador
e não estar em dia com as obrigações financeiras desta
entidade implica em exercício ilegal da profissão, com
medidas punitivas prescritas no Código Penal. Além disso
o registro no CRA é obrigatório a todo administrador que exerça
sua profissão.
O
caso do Saesc é diferente.Tornar-se
sócio do sindicato não é uma obrigação, mas questão de opção,
consciência de classe, união e de fortalecimento da categoria.A
sustentabilidade financeira do sindicato pode acontecer das
seguintes formas:
Contribuição
Voluntária, em forma de mensalidade ou anuidade cobrada através
de boleto bancário que o administrador recebe por correio. Esta
cobrança está definida no artigo 545 da CLT e só é feita mediante
autorização do administrador ou via bancária. Seu valor é definido
pela assembléia geral da categoria. Esta é a única forma de manutenção
do Saesc (veja tabela de valores da
anuidade abaixo). Dos associados do Saesc não cobra contribuição confederativa.
Contribuição
Sindical ou, como é popularmente conhecida, "imposto sindical",
é uma cobrança compulsória, definida por lei deste a constituição
de 1937. Esse é um dos pontos da reforma sindical que o governo
enviará ao congresso nacional. Este imposto tem caráter parafiscal
( tributário) e é devido por todos os
trabalhadores empregados, autônomos e profissionais liberais e
também pelos empregadores. Para o trabalhador empregado, o valor
do imposto sindical corresponde a um dia de trabalho no mês de
março. Os profissionais liberais
(administradores, economistas, engenheiros e outros) tem
a opção de pagar este imposto através de guia remetida em fevereiro
pelo correio. Os administradores que pagam a anuidade do Saesc
até 30 de janeiro, recebem esta guia quitada.
Há
ainda a Contribuição Confederativa, que
é destinada exclusivamente para os órgãos representativos de cada
categoria repartida entre sindicato, federação e, quando
houver, confederação. Esta contribuição foi criada pela constituição
federal de 1988. Seu valor é fixado por assembléia geral, devendo
ser pago apenas pelos associados da entidade. Neste caso o desconto
independe de autorização individual.
Por
fim o sindicato também pode promover um Desconto
Assistencial, chamado de "taxa assistencial" ou de
"reversão sindical". Geralmente ocorre por ocasião da aprovação
de convenção ou acordo coletivo de trabalho pela assembléia geral.
É comum que este desconto que acontece por um prazo determinado,
conste em cláusula de convenção ou acordo coletivo, incidindo
sobre associados e não associados, mas depende de expressa autorização
de ambos ou que não haja oposição ao desconto. A taxa assistencial
também pode ser instituída pela assembléia para outros fins que
não salariais, como para aquisição de sede própria, de terrenos
para construção de área de lazer, constituição de fundo de greve
e o que mais a categoria julgar necessário para a entidade.
Neta
época do ano os sindicatos voltam a organizar suas finanças, definindo
os prazos de pagamento das mensalidades e anuidades.
No caso do Saesc, mais uma vez é preciso
diferenciar as formas de contribuição à entidade que o associado
pode fazer. Vale lembrar que a contribuição ao sindicato não tem
nenhuma relação com o que exige CRA-Conselho
Regional de Administração.
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VALORES
DA ANUIDADE PARA 2004
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Pagamento
até 30/12/2003
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R$
110,00
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Pagamento
até 30/01/2004
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R$
120,00
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Pagamento
até 27/02/2004
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R$
130,00
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Pagamento
até 31/03/2003
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R$
140,00
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Pagamento
após 31/03/2003
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R$
150,00 + 1 %
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Valor
da mensalidade para 2004 - 0,5 % da remuneração
fixa (desconto em folha)
Valor
do imposto sindical - R$ 60,80 ( guia
será quitada para trabalhadores que pagarem anuidade até 30/01/2004
Valor
da contribuição confederativa - igual
a anuidade (R$ 150,00)
Contribuições
para o Saesc não podem ser confundidas
com as do CRA. Ao receber um boleto bancário, verifique para quem
será feito o pagamento.
Ano
termina sem fechamento de todos acordos
Mesmo
passados os períodos de data-base, o SAESC, juntamente
com sindicatos de outras categorias, continuaram suas atividades
sindicais no sentido de garantir aos administradores as melhores
negociações possíveis nos acordos e dissídios
coletivos. A atuação do Saesc na representação
dos administradores catarinenses nos mais diversos processos de
negociação salarial mostra a importância que
o sindicato dá para a valorização da profissão
num momento em que se empenha pela melhoria das condições
de trabalho.
Para que estas expectativas dos diretores da entidade sejam sempre
consolidadas, faz-se necessáúo que os administradores
unam-se em tomo do SAESC, permanecendo como associados e participando
ativamente dos movimentos da categoria.
Vejamos como estão os processos de negociação
até o me de dezembro:
AGRICULTURA
O Sindicato dos Administradores integra a Intersa - Intersindical
da Agricultura, formada por oito entidades. Este coletivo representa
os trabalhadores da EPAGRI, CIDASC, ICEPA e CEASA. Os acordos
coletivos para estas empresas foram assinados com a participação
pessoal do governador do Estado, Luiz Henrique da Silveira, depois
de longos meses de negociação. No acordo ficou acertada
a implementação e implantação de um
Plano de Cargos e Salários a partir de março de
2004. Além dessa conquista que terá acesso automático
nos casos de antigüidade, os sindicatos conseguiram um reajuste
dos salários e do vale alimentação, com o
limite de 12,89%. "Vale lembrar que os acordos coletivos
com a EPAGRI, CIDASC, ICEPA e CEASA só foram assinados
graças à intensa mobilização das diversas
categorias vinculadas à agricultura, o que demonstra que
somente com muita luta e união é que se buscam as
conquistas almejadas", ressalta José Nascimento, diretor
do Saesc que representou o sindicato nestas negociações.
CASAN
O
dissídio coletivo foi julgado pelo Tribunal Regional do
Trabalho e o SAESC aguarda a publicação do acórdão,
para que possa decidir sobre o que fazer a respeito do dissídio
ou um possível acordo com a CASAN.
TELEFONIA
As
pautas de reivindicações foram entregues à
Telesc Celular e à Tele Celular Sul neste mês de
dezembro em virtude da data-base. O SAESC, juntamente com os demais
sindicatos de categorias diferenciadas, permanece na expectativa
das negociações com estas empresas. Em carta encaminhada
ao representante das duas empresas de telefonia, os sindicatos
propuseram uma data para início das negociações
ainda no decorrer de dezembro, mas até agora não
obtiverarn resposta.
ELETROSUL
Como
fruto das negociações entre a ELETROSUL e a INTERSUL
Intersindical dos Eletricitários do Sul do Brasil, no mês
de dezembro serão implementadas importantes melhorias para
os trabalhadores. Essas melhorias somam-se às já
praticadas no decorrer de 2003. Na folha de pagamento em dezembro,
os empregados receberão os níveis salariais decorrentes
da segunda parte prevista no acordo com os representantes da categoria.
Essa forma de distribuição dos ídices permitiu
a redução da diferença entre o maior e o
menor salário praticado na ELETROSUL.
Ainda em dezembro, todos os trabalhadores receberão um
bloco a mais do vale alimentação ou o valor equivalente
a um mês do benefício creditado em seus cartões.
Outra importante mudança é a proposta, já
apresentada pela ELETROSUL aos sindicatos, de distribuição
da PLR (Participação nos Lucros e Resultados), com
50% de forma linear e 50% de forma proporcional a partir de 2004.
Entrevista
Andreza Tatiana Achar
Prêmio
Saesc universitádo 2003/1
Em
outubro aconteceu a primeira edição do Prêmio
Saesc Universitário, que concedeu a melhor aluna do curso
de Administração da UFSC (de acordo com o índice
de aproveitamento acumulado) formada no primeiro semestre deste
ano a quantia de R$ 800,00 em dinheiro e um certificado pelo reconhecimento
de seu esforço acadêmico. Nesta edição,
o jornal do Saesc entrevista Andreza, vencedora do prêmio.
O
que a motivou cursar administração 1 e com que área
você mais se identifica?
Minha família possui duas empresas e eu sempre trabalhei
com eles. No momento de escolher um curso, logo pensei em administração,
não só pelo fato de que seria útil para mim,
mas também por me identificar com as tarefas que eu desenvolvia.
Após as várias disciplinas estudadas no curso, o
que mais me chamou atenção foi planejamento estratégico
e administração financeira.
Fez
estágio antes de se formar? Já está trabalhando
?
Sim, em uma das empresas da família. Possuímos uma
franquia de cursos de idiomas e continuo trabalhando com eles,
embora tenha interesse em continuar os estudos e fazer mestrado.
Como
você recebeu Prêmio Saesc Universitário?
Foi realmente uma surpresa, não só para mim, mas
também para meus colegas. Nem imaginávamos que poderia
haver este prêmio. Encaro como um grande incentivo e até
mesmo uma recompensa por tanto trabalho e dedicação
dispensados aos estudos.
Já
tem registro no CRA? Conhece a organização dos administradores
catarinenses, tanto através do CRA quanto do Saesc?
Ainda não me registrei no CRA.
Tivemos pouca informação referente ao CRA e o sindicato.
Apenas um professor no final do curso comentou sobre o CRA.
Acho interessante que no final do curso os alunos recebam maiores
informações de como podem ser beneficiados por tal
registro e filiação.
Como
você acha que a administração,através
do seu trabalho, poderá ajudar na transformação
social do país?
A administração é uma das poucas profissões
que atua num amplo leque de atividades. Desta forma, há
a oportunidade de contribuir para uma melhor sociedade de várias
maneiras. Direta ou indiretamente, a administração
trabalha com pessoas e todos estão envolvidos em ajudar
a transformar o país. Tem-se falado muito em responsabilidade
social, em que empresas utilizam seus esforços e recursos
para ajudar outros sem requerer nada em troca. Tais empresas não
apenas merecem reconhecimento, mas também são dignas
de terem seu modelo seguido por outras, sejam estas grandes ou
pequenas. Há a tendência de deixar que os outros
façam a sua parte, mas cada administrador pode analisar
o que ele individualmente ou sua empresa podem fazer a fim de
ajudar na transformação social do país.
O
que esperar para o Brasil em 2004
O
mês de dezembro, por ter um caráter festivo, é
o menos adequado para realizar uma reflexão das coisas
que passaram e das coisas que estão por vir. Por misturar
razão e emoção, em dezembro fica difícil
separar o passado (não tão distante) do momento
presente, em que o apelo comercial busca capturar parte dos R$
36 bilhões oriundos do 13 º salário que, segundo
estima o DIEESE, esteja circulando na economia. Apenas em Santa
Catarina esta captura é de R$ 1,34 bilhão, considerando
os assalariados com carteira assinada e os aposentados e pensionistas
do INSS.
Por outro lado, por mais que o momento seja festivo, não
dá para esquecer que 2003 foi um ano bastante difícil
em termos econômicos, mesmo que, em termos políticos,
a esperança da maioria dos brasileiros fosse renovada.
O contexto em que o ano de 2002 foi concluído já
não permitia uma perspectiva muito positiva para 2003.
Entre a renovação da esperança, na dimensão
política, e a possibilidade de tragédia, na dimensão
econômica, ficou-se no meio termo: vendo as variáveis
macroeconômicas serem controladas, mas com muita insatisfação
por não ver as coisas mudarem na forma em que a maioria
desejava.
Uma avaliação corrente no meio econômico,
na qual me insiro, avalia que, dado os riscos apresentados pelo
descontrole econômico ao final de 2002, combinado com os
compromissos do novo governo de não romper
contratos, o país ficou com pouca alternativa de inovação
na condução da política econômica,
limitando-se a, adoção do mesmo receituário
já conhecido em oito anos do governo anterior. Apesar da
maioria dos indicadores econômicos ter melhorado em 2003
particularmente, câmbio, inflação, juros e
risco país - a taxa de desemprego manteve-se em elevação,
a economia permaneceu estagnada e a renda do assalariado continuou
em queda.
A perspectiva para 2004 é o de que todo o esforço
realizado pelo país em 2003 produza espaços para
a adoção de uma política econômica
mais ousada que estimule a atividade produtiva e interrompa o
crescente gasto do governo na esfera financeira. É incompatível
crer na retomada sustentável do crescimento econômico
a partir de uma política econômica que transfere
quase 10% da renda nacional para as camadas rentistas da sociedade,
em particular os banqueiros.
O reforço da esperança em 2004 somente acontecerá
a partir de ações mais incisivas do governo federal.
Absolutamente nada impedirá, que continuemos no ciclo "stop
and go " do governo anterior caso não se aproveite
a atual calmaria relativa nos indicadores macroeconômicos
para rediscutir a política econômica e o papel do
Estado brasileiro, com o objetivo de reduzir as profundas e ainda
crescentes desigualdades no país. É preciso impedir
que o controle atual das variáveis macroeconômicas
sirva de argumento para manter o atual receituário com
a ingênua avaliação de que o que aconteceu
nos anos anteriores não se repetirá daqui pra frente.
O Brasil continua sendo um país extremamente desigual,
carente de serviços públicos e dependente do mercado
financeiro internacional, o que o mantém sob constante
instabilidade.
Não
podemos desconsiderar aIgumas ações do novo governo
na perspectiva de estimular a construção de um novo
país. Entretanto, não se pode negar que ações
pontuais são necessárias, mas insuficientes frente
aos desafios apresentados. Dessa forma, 2004 pode se transformar
num ano estratégico e especial para verificar se continuaremos
assistindo mais do mesmo ou se de fato a esperança será
reativada entre os brasileiros.

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