Informativo do Sindicato dos Administradores de SC Ano IX - Nº 56 - Novembro/Dezembro de 2002

Expectativas X Incertezas A inflação e o impacto nas fundações
Começa negociação na Telesc Celular Acordo coletivo Tractebel consegue avanços
O administrador cooperativista Notas
Nova proposta orçamentária foi aprovada Fique atento ao pagto das mensalidades
CRA - Mais dois diretores do Saesc Empregabilidade
   

Expectativas X Incertezas

O ano inicia-se talvez com o maior sentimento coletivo de expectativa e esperança no país. Esperança em dias melhores, em atenção ao povo, com perspectiva de crescimento econômico, de geração de empregos, de erradicar a fome que assola no mínimo 44 milhões de brasileiros.Fé numa educação voltada para a cidadania, com a aprovação por mérito e não por obrigação e o ingresso no mercado de trabalho através de uma formação profissional competitiva e eficiente. Afinal, passados tantos anos distintos na política do país, um ex-operário metalúrgico assumirá, em 1° de janeiro de 2003, o maior posto da nação.

Nele estão depositados os sonhos de uma vida melhor senão de todos, ao menos da maior parte da população que se identifica com o presidente pela sua origem e simplicidade.
No entanto, janeiro e fevereiro deverão caracterizar-se como os meses da incerteza. Incerteza na política econômica, na estabilidade do mercado, no estado em que o novo governo receberá o país. Incerteza também quanto à relação dos novos governos estaduais com o federal, da atuação das novas bancadas de parlamentares. Enfim, ninguém sabe ao certo o que dizer do novo governo que assume.
"O Brasil votou para mudar e a esperança venceu o medo". Estas foram as primeiras palavras do presidente eleito depois do processo eleitoral. Contudo, o sentimento de esperança que motivou os brasileiros fazerem de Lula o homem mais votado do mundo até hoje tem a mesma proporção das incertezas do que pode vir. Seu programa de governo, segundo a maioria dos analistas políticos e econômicos, é claro, perfeitamente aplicável e voltado predominantemente para as questões sociais. No entanto, numa economia globalizada onde o Brasil tornou-se uma peça importante, nem sempre é fácil conciliar o bem estar da população com uma economia avançada. Lula e seus apoiadores acreditam que sim. A maioria dos eleitores aposta nisso. O jeito é aguardar e acreditar que para o Brasil, o governo de Lula será o melhor presente de Natal que cada brasileiro receberá
.

Nova proposta orçamentária foi aprovada em assembléia

Aconteceu no dia 3 de dezembro a Assembléia Geral Ordinária do Saesc onde foi feita a prestação e aprovação das contas do exercício de 2001 e a apresentação e aprovação da proposta orçamentária para 2003. Foi consenso entre os diretores que no ano 2002 houve uma melhora na atuação do sindicato junto às negociações e com os associados. Houve uma ação de controles de gastos e iniciou-se uma readequação da gestão para preparar a entidade para eventuais mudanças na legislação que venham a modificar a expectativa de receita. Tais medidas resultaram em uma redução média de 18% nas despesas em relação a 2001.
Para a proposta orçamentária a ser implementada em 2003, foi mantido este programa de redução de custos implantado pela atual Diretoria.
Os critérios utilizados para estimar nossas receitas e despesas foram conservadores, o que irão permitir a manutenção do Sindicato sem a necessidade de efetuar possíveis rateios aos nossos associados.

Fique atento ao pagamento das mensalidades do Saesc


Neste mês de dezembro o sindicato estará enviando aos seus associados o boleto para pagamento da anuidade relativo ao exercício de 2003. O valor passou para R$ 150,00 anuais, com três opções de pagamento:
Até 31 de janeiro de 2003 - R$ 108,00;
Até 28 de fevereiro - R$ 115,00;
Até 31 de março - R$ 122,00;
Após 31 de março - R$ 150,00.
Aqueles que efeturarem o recolhimento até 31 de janeiro, além deste desconto, o direito a receber a guia do imposto sindical quitada. Isso evitará o desconto de um dia de trabalho no salário do mês de março.

CRA.

Mais dois diretores do Saesc foram eleitos no dia 6 de novembro: Adm. Mário César Silva e Adm. José Rosnei Oliveira Rosa, aumentando o número de conselheiros que também são diretores do Saesc pois o Adm. Arcênio Patricio já é conselheiro do CRA. Com isso os laços entre o sindicato e o Conselho Regional de Administração ficam ainda mais fortalecidos e novas ações deverão ser feitas em conjunto pelas entidades.



Começa negociação na Telesc Celular

Foi entregue, na segunda-feira, dia 9 de dezembro, a pauta de reivindicações dos empregados da Telesc Celular S.A. e Telesc Celular Sul S. A. ao administrador responsável pela empresa em Santa Catarina, Gercy Bortolon. No entanto, as discussões sobre o acordo coletivo serão feitas com Richard Allan Vieira, que é o negociador oficial das empresas, com sede em Curitiba. A primeira reunião, de acordo com os sindicatos que assinam a pauta, ficou marcada para o dia 18 de dezembro. Para esta negociação representará os empregados a Intersindical dos Profissionais de Nível Médio e Universitário que atuam na Telesc Celular e Telesc Celular Sul, que é composta pelos sindicatos dos Administradores, dos Técnicos Industriais, dos Engenheiros e dos Economistas.
PAUTA
Os sindicatos pedem reajuste pelo índice do INPC pleno no período de 01° de dezembro de 2000 até 30 de novembro de 2002, um aumento real de 10% incidente no salários do mês de dezembro de 2002 a título de recuperação das perdas e um abono equivalente a 100% do salário base (limitado ao valor mínimo de R$ 1.200,00) a ser pago na assinatura do acordo. Outros pontos são o auxílio alimentação na forma de tíquete no valor unitário de R$ 17,00 e a participação nos resultados da empresa, dentro dos planos de metas para o ano 2003.
A pauta também prevê nas cláusulas sociais o programa de assistência de saúde aos empregados com participação dos empregados em até 20% e reembolso total das despesas com medicamentos. Outra reivindicação é o auxílio creche/pré-escola para os filhos dos empregados até sete anos de idade.

A inflação e o impacto nas fundações


Nos últimos meses os brasileiros têm sentido novamente no bolso os efeitos da inflação que voltou a subir. Praticamente todos os itens da vida diária foram reajustados sem que estes índices incidissem sobre o salário do trabalhador.
Contudo, se por um lado há perda no poder aquisitivo da população em geral, por outro, nas fundações de previdência e semelhantes o aumento da inflação significa um relativa recuperação de perda monetária no patrimônio da instituição que, em última análise, pertence aos empregados.
No entanto, este tema não é consenso entre os diretores das fundações.

Para o administrador Nelson Antônio Vieira de Andrade, diretor financeiro da Elos, a inflação não gera ganho real pois pressupõe apenas a reposição da desvalorização da moeda. "Fundo de pensão pressupõe a correção da inflação, que é baseada pelo índice do INPC mais o juro determinado pela meta atuarial, que fica na casa dos 6%. Isso significa que o cálculo para a rentabilidade real deve deduzir o percentual da inflação", explica o administrador. O diretor financeiro da Elos comenta ainda que como o que rege o mercado nacional é a taxa de juro do Banco do Brasil, não é fácil perseguir a meta atuarial. "O momento depende muito do comportamento do mercado e da bolsa de valores. Quando se tem superávit é possível reduzir a contribuição do participante (em caso de plano de contribuição definida). Mas no geral se a rentabilidade do patrimônio for superior ao índice do INPC e dos juros, isso fortalece a reserva e torna-se um ganho para o participante", conclui.
Já para o atual diretor administrativo-financeiro da Celos, Evêncio Elyas Filho, a inflação é vantajosa para o fundo de pensão. "Para quem tem dinheiro para aplicar, a inflação torna-se a possibilidade de um ganho em cima do déficit passado. É uma forma de rentabilidade da poupança dos participantes", acredita Evêncio.
Opinião completamente oposta éé do diretor financeiro da Fundação Casan - Fucas, Osmar Couto Junior. Para a Fucas, que não é um fundo de pensão mas uma entidade assistencial dos funcionários da Casan, a inflação é "especialmente danosa para a massa de trabalhadores porque corroe não só os salários mas também os benefícios que os mesmos possuem, entre eles, as complementações de aposentadoria".

Empregabilidade


Orlando Alves, escritor,
Parte da crônica publicada no jornal A Notícia de 03 de abril de 1998
Para disfarçar a total incapacidade de gerar novos empregos, ou de restituir alguns, dos milhares já extintos, pela sua subordinação neoliberal e economocrata à pretensa inexorabilidade das leis do mercado e às globalizações planetárias, o governo tergiversa e divaga, nas ancas de uma nova palavra-conceito, chamada de "empregabilidade". Quer dizer, nova desconsideração com o homem e seu trabalho, que é invenção e saber-fazer, cultura, enfim, perante o interesse da tecnologia que sempre se denomina "nova". Empregabilidade quer dizer abdicação do saber, sucateamento cultural do saber do homem comum, perante a cultura das elites econômicas. A nova exigência insere-se na categoria vaga de produtos-atributos pela qual o trabalhador deve pagar para qualificar-se ao trabalho, ao suor e ao pão.

Notas

- Celos
O atual presidente do Saesc, Sary Reny Köche Alves, foi eleito pelos empregados da Celesc,no dia 19 de novembro, para ser o novo diretor administrativo-financeiro da Fundação Celos na gestão 2003-2006. Com isso, a diretoria do sindicato já está estudando uma nova forma para administrar a entidade. Dia 17 de dezembro o conselho Deliberativo do Saesc se reunirá para definir se haverá rodízio dos diretores ou delegará a função da presidência da entidade a um novo diretor. Vale lembrar que Sary continuará na diretoria do Saesc.

- Seguridade
Nesta mesma eleição na Celos, os aposentados e pensionistas elegeram para a Diretoria de Seguridade Remy Goulart.

- Final do ano
Por conta das festas de final de ano, o horário de funcionamento do Saesc será alterado. Dias 24 e 25 e 31 de dezembro e 1° de janeiro, a entidade estará fechada.

Acordo coletivo na Tractebel consegue avanços


Um reajuste salarial de 11% - acima do índice INPC e aumento no vale alimentação de R$ 14,00 para R$ 16,00 a unidade estão entre os pontos positivos do acordo assinado entre o Saesc e a Tractebel para os administradores da empresa. Segundo o diretor da entidade, Adm. Dori Silva Cândido, houve um avanço além da expectativa nesta negociação. "Nossa pauta de reivindicações foi contemplada na íntegra. Além do reajuste de salário, tivemos avanços nos itens sociais", explica Dori. A empresa manteve o plano de saúde e estendeu os direitos aos novos funcionários, ampliando também a abrandência de praticamente todas as cláusulas sociais.

O administrador cooperativista

Essa palavra nunca ecoou tanto como nos últimos anos. A proliferação das cooperativas tem representado a grande dificuldade que as empresas tem em manter-se num mercado cada vez mais competitivo. As questões tributárias e fiscais juntamente com o custo Brasil, estrangulam mais e mais as empresas de capital levando a redução do quadro de colaboradores, causando assim o desemprego. Soluções criativas por parte desses "desempregados" vem na forma de associativismo. Ora, o cooperativismo nasce de uma intenção e força de vontade dos cooperados e não de um planejamento de mercado. Muitas vezes são criadas forçosamente em decorrência de algum fato inesperado, como ocorre na falência de empresas de capital. Todos trabalhando para todos, assim todos ganham. Na busca desenfreada pela conquista de espaço, as cooperativas fomentam a produção e estabelecem ganhos maiores a um custo baixo. Com alguns privilégios tributários garantidos pela Constituição, mostram-se como grandes atrativas na competição pelo mercado. O que se tem notado, é que, embora muitas cooperativas serem viáveis e criadas com um pequeno risco de irem à "bancarrota", demonstram terreno fértil para exemplos da mal administração. Felizmente, dependendo do negócio a que está direcionada, mesmo mal administrada, ainda tem obtido sucesso. Podemos citar inúmeras deficiências administrativas criadas pela própria natureza das cooperativas brasileiras: Diretores sem qualquer noção administrativo-financeira, confusão entre caixa e receita, pagamento de tributos aparentemente igual a outras empresas, rateio de 100% das sobras, balanços defasados, decisões empíricas, e por aí a fora. É claro que muitas cooperativas tem logrado muito sucesso em virtude de possuírem um administrador devidamente qualificado em sua gerência, o que de certa forma tem assessorado as diretorias a manterem-se em cima dos trilhos. Balanço mensal, máquina enxuta, programas de qualificação e auditorias preventivas tem sido a receita sugerida por esses administradores na qual tem coroado com grande êxito o sucesso das mesmas. É claro que não cabe ao administrador tomar as decisões nessas entidades, mas sim cabe a ele assessorar a diretoria executiva qual seria o melhor caminho a ser traçado. Os gerentes das cooperativas possuem um papel importante nesse sentido, e nada melhor de que os mesmos sejam um profissional da área da administração. Em suma, podemos comparar a cooperativa como um grande barco à remo onde seus cooperados são os remadores e o administrador o timoneiro. Os remadores sem o timoneiro assumirão o risco de navegar em círculos ou encontrar rochedos. O timoneiro sem os remadores não encontrará a mola propulsora que atingirá o objetivo. Agora, juntos sempre lograrão êxito em sua rota de sucesso.

Dionéver Pacheco Pereira
Especialista em Cooperativismo

 



SAESC - Sindicato dos Administradores do Estado de Santa Catarina
Rua dos Ilhéus, 38 , salas 602 e 603 - Centro
CEP 88010-560 - Florianópolis - SC - Fones/Fax: (048) 3222-8080 / 3224-3354
Todos os direitos reservados -
Resolução mínima de 800x600 - © Copyright 2003
saesc@floripa.com.br