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Informativo
do Sindicato dos Administradores de SC - Ano IX - Nº 52
- Março/Abril de 2002
Começam
as campanhas salariais
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Os
sindicatos dos trabalhadores das empresas públicas
de Santa Catarina - com exceção dos eletricitários
da Celesc - estão realizando campanhas salariais
para os acordos coletivos com vigência 2002/2003,
visto que sua data base é 1° de maio.
As
principais bandeiras são a garantia pelo reajuste
- no mínimo obedecendo os índices do INPC
do período - e a manutenção de todos
os direitos já obtidos em acordos passados.
O governo, por outro lado, está tentando unificar
todos os funcionários públicos, sejam da
administração direta, fundações,
autarquias e empresas públicas. O que concede aos
servidores públicos, autoriza as empresas a repassar
aos seus funcionários, desde que tenham saúde
financeira para isso. No caso dos servidores, o reajuste
a a concessão de outros benefícios tem que
passar pela Assembléia Legislativa, enquanto aos
outros empregados há uma extensão através
de resoluções do Conselho de Política
Financeira - CPF, que exige a assinatura de termos aditivos
ao ACT. Neste ano o governo anunciou que o reajuste salarial
ficará em torno de 7%, exatamente o fixado pelo
INPC - Índice Nacional de Preços ao Consumidor,
e, no caso dos servidores, repassado em até oito
parcelas. No ano passado o aumento salarial foi de 18,49%,
pago em cinco meses.
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Para
o Sindicato dos Servidores Públicos Estaduais a proposta
é uma humilhação. "Dá 0,8%
ao mês enquanto só no Plano Real perdemos cerca
de 61%", comentou o presidente da entidade, Maurino
Silva.
Se na administração direta há um descontentamento,
a situação não é diferente nas
empresas de economia mista do governo. Apesar de aparentemente
as reivindicações serem as mesmas, cada categoria
está tendo que enfrentar problemas específicos.
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Acompanhe
como estão as negociações
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Casan
- Os sindicatos diferenciados que têm funcionários
da Casan em seus quadros de associados - Sindicatos dos
Administradores, dos Engenheiros, Economistas, Técnicos
Industriais e Contabilistas da Grande Florianópolis
- estão com uma pauta diferenciada da proposta do
sindicato majoritário, o Sintae. Uma das cláusulas
para a negociação será a extensão
para todos os trabalhadores da empresa do montante ganho
de uma ação referente às perdas geradas
pelo Plano Bresser (1987). |
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É
que nem todos os empregados foram contemplados com a ação,
contrariando a previsão já que na época
praticamente todos os trabalhadores da Casan estavam participando
da ação impetrada.
"Não sabemos qual é a mão invisível
que tira nomes da lista dos beneficiados sem ao menos
informar os critérios. A indignação
da maioria dos 42 administradores da Casan é grande
por terem sido excluídos desta ação.
Então, como não temos como saber o porquê
desta situação, queremos a extensão
a todos através do ACT 2002/2003", justifica
o presidente do Saesc, Sary Reny Köche Alves

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Ciasc
Desde 2000 os empregados do Ciasc estão sem receber
triênio e Licença Prêmio, cortes feitos
pelo Governo do Estado. Outro ponto que está incomodando
os trabalhadores é a não implantação
do Plano de Cargos e Salários, que desde julho/2001,
mesmo depois de amplo trabalho realizado pelos representantes
dos empregados e da Empresa, ficou engavetado com a Diretoria.
Por conta dessa situação, inúmeros
empregados entraram com ações judiciais
trabalhistas. A empresa tem perdido diversas ações
na 1ª instância, fatos que têm exigido
que ela efetue depósitos judiciais que já
ultraprassam R$ 1,1 milhões. "Estão
perdendo a empresa e os empregados, que não podem
receber este dinheiro enquanto a ação estiver
tramitando", lembra o Administrador José Rosnei
de Oliveira Rosa, representante dos empregados no Conselho
de Administração do Ciasc e Diretor do Saesc.
O administrador lembra que nesse Governo os empregados
não receberam mais participação nos
lucros, em decorrência dos resultados deficitários
apresentados pelo Ciasc. Por outro lado, por conta de
decisões inoportunas, como a dos cortes do Triênio,
da Licença Prêmio, a empresa provisionou
como contingências trabalhistas, no seu Balanço
Patrimonial de 2001, quantias da ordem de R$ 2,2 milhões.

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Eletrosul
Entre os administradores que atuam na Eletrosul havia
um conflito: o Saesc deveria ou não continuar fazendo
parte da Intersul - Intersindical dos Eletricitários
do Sul do Brasil. Os que defendiam a saída do sindicato
alegavam que os administradores estavam sendo prejudicados
com os acordos fechados pela Intersul, principalmente
em questões como abonos e participação
nos lucros. Os administradores, por exemplo, defendem
o abono proporcional aos rendimentos de cada um enquanto
a Intersul prega a linearidade, ou seja, que todos, independente
do salário, recebam a mesma quantia de abono e
participação nos lucros. Na maioria das
cláusulas, contudo, há o consenso. Para
resolver a situação o Saesc convocou estes
administradores para uma assembléia, que foi realizada
no dia 24 de março. A surpresa é que nenhum
dos profissionais que defendia a saída da Intersul
compareceu e por isso o Saesc continuará na Intersindical

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Agricultura
Nos dias 12 e 13 de março, a Intersindical dos
Trabalhadores das empresas de Agricultura realizaram em
Florianópolis o planejamento da campanha salarial
2002/2003. Os pontos prioritários da negociação
são reposição salarial de 35%, vale
alimentação e acertar as pendências
do ACT em vigor atualmente: garantia de emprego, PCS,
plano de saúde, auxílio creche e auxílio
doença. Com esta campanha, além das recomposições
das perdas e a implantação do Plano de Cargos
e Salário, os sindicatos esperam fortalecer as
empresas públicas buscando um retorno dos objetivos
fins de cada uma e apresentar uma proposta para que a
agricultura seja a base do desenvolvimento de SC.
A pauta da intersindical foi entregue às empresas
dia 8 de abril e as rodadas de negociação
estão previamente marcadas para os dias 15, 19,
24 e se necessário, 30 de abril para que o acordo
entre em vigor já a partir de 1° de Maio.

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Cautela
com o FGTS
A
Caixa Econômica Federal deverá fornecer o
extrato do FGTS até o dia 30 de abril deste ano,
explicitando quanto cada trabalhador perdeu com os planos
Verão (1989) e Collor (1990). A orientação
do Saesc continua sendo a de não assinar o termo
de adesão enquanto não se tem certeza dos
possíveis valores a receber. O que quer dizer que
aqueles que entraram com ações na justiça
para reaver os reajustes do FGTS não devem renunciar.
O governo havia anunciado em setembro do ano passado que
o reajuste seria de 16,64% sobre os saldos das contas
mantidos em 01/12/1988 e de 44,8% sobre as contas vinculadas
em 01/04/1990. É preciso, no entanto, de posse
dos dados fornecidos pela Caixa Econômica, fazer
um cálculo individual se os valores conferem e
se com a ação o trabalhador pode ganhar
mais do que os percentuais definidos pelo governo federal.
"Não adianta termos pressa. Isso é
uma segurança, pois o governo anunciou que vai
pagar em tempos diferenciados. Assim quem tem até
R$ 1000 para receber de correção o pagamento
deverá ser feito em uma única parcela até
junho deste ano. A partir daí o pagamento será
parcelado, sendo que os valores mais altos deverão
ser quitados somente em 2007. Então, nessa hora,
é preciso cautela", assegura o presidente
do Saesc, Sary Reny Köche Alves.

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| A
responsabilidade social e o administrador |
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Administrador
de empresa que não se interessa em apresentar um
balanço social positivo está fadado não
só ao prejuízo, como também uma certa
antepatia da sociedade. Veja porque:
"Há
empresas com verdadeiros tesouros financeiros, ainda não
descobertos por muitos gestores, capazes de incentivar
o caixa, motivar os funcionários e melhorar a imagem.
Este tesouro é a responsabilidade social".
A afirmação do professor de Gestão
Empresarial da Unisul, Paulo Roberto May deixa claro porque,
desde os anos 80 do século XX as empresas começaram
a se preocupar em desenvolver ações sociais,
seja para seus empregados com extensão às
famílias, seja para causas sociais que o Estado
não atende.
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Todas
as ações que promovam a cidadania e contribuam
para o desenvolvimento comunitário são contabilizadas
num balanço social: um demonstrativo empresarial
publicado anualmente.
Segundo o Ibase - Instituto Brasileiro de Análises
Sociais e Econômicas, idealizado pelo sociólogo
Herbert de Souza, o Betinho, além de projetos,
benefícios e ações sociais o balanço
é um instrumento estratégico para avaliar
e multiplicar o exercício da responsabilidade social
corporativa. Este modelo, contudo, não é
recente e foi fruto de pressão social. Nos anos
de 1960 nos países da Europa e nos Estados Unidos,
com o repúdio da população à
guerra do Vietnã, a sociedade exigia uma nova postura
ética das empresas e uma das formas para conseguir
isso foi o boicote à aquisição de
produtos e ações de corporações
ligadas ao conflito. Foi quando as empresas começaram
a prestar contas de suas ações e objetivos
sociais.
De lá para cá esta conduta passou a ser
um exemplo a todo o empreendimento que deseja obter simpatia
e sucesso. Documento do Ibase diz que o balanço
social diminui riscos, agrega valor, é um instrumento
moderno de gestão e de avaliação,
além de transparecer a ética.
Para analisar a cidadania empresarial brasileira o Ibase
lançou em 1998 o Selo Balanço Social Ibase/Betinho,
onde as empresas podem mostrar que investem em educação,
saúde, cultura, esportes e meio ambiente. Este
selo demonstra que o empresário já deu o
primeiro passo para tornar seu negócio numa "empresa
cidadã", comprometida com a qualidade de vida
não só de seus funcionários como
da sociedade em geral.
Naquele mesmo ano foi criado também o Instituto
Ethos - Empresas e Responsabilidade Social, que já
conta com mais de 300 associadas. O Instituto dá
suporte para que as empresas consigam transformar seus
projetos em realidade.
Aquelas que alcançam os critérios de excelência
são destacadas através da Fundação
Prêmio Nacional de Qualidade. A única empresa
catarinense que obteve este prêmio foi a WEG de
Jaraguá do Sul. "Os critérios são
os mesmos usados em mais de 50 países. A empresa
que recebe tal premiação tem o reconhecimento
internacional. É um bom marketing", comenta
o professor Paulo May. Ele lembra que o investimento no
social é melhor que qualquer campanha publicitária:
"A população tem orgulho de empresas
com compromisso social. E aquelas que partem para isso
obtêm um incentivo fiscal que por si só paga
o investimento", comenta May. Sua afirmação
reforça a que Betinho dizia há anos atrás:
"o balanço social não tem donos, só
beneficiários".

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Esses
técnicos geniais e seus relatórios furados
Miguel
Jorge, jornalista, é vice-presidente de Assuntos
Corporativos do Grupo Santander Banesta. (Artigo publicado
em O Estado de São Paulo 23/03/2002)
A
imagem dos "dois Brasis", um rico, outro pobre,
pode ser velha - Jacques Lambert usou-a na obra Os dois
Brasis, nos anos 70, e o economista Edmar Bacha, ao criar
a expressão Belíndia, para classificar o
País como metade Bélgica, metade Índia.
Mas ainda é atual para o relator especial da ONU
sobre o Direito à Alimentação, o
suíço Jean Ziegler, que acaba de encerrar
uma visita de 18 dias ao Brasil.
Sua conclusão: vivemos uma "guerra social"
por causa dos 40 mil assassinatos por ano e do desrespeito
ao direito de alimentação. Sociólogo,
ex-deputado pelo Partido Socialista, autor do livro A
fome no mundo explicada aos meus filhos, Ziegler passou
um sábado visitando o município de São
João de Meriti, no Estado do Rio, onde 6,6% das
crianças são desnutridas. O município
ocupa posição desconfortável no ranking
brasileiro da fome, que tanto impressionou Ziegler - com
1.557 crianças desnutridas, tem um índice
de desnutrição acima da média do
Sudeste, de 4,7%, e pior que a média nacional,
de 5,7%. (...)
Em setembro, ele apresentará um relatório
à Assembléia-Geral da ONU, dizendo que o
Brasil viola os direitos de alimentação
e saúde e elogiando as ações do Movimento
dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e as pastorais
da terra e da criança, da Igreja Católica.
Ziegler, ex-colega do sociólogo Fernando Henrique,
juntou no mesmo saco, fome, violência e saúde
para justificar a tese da "guerra social". Antes,
em reuniões com representantes do governo, dizia-se
"encantado" com a política social.
Segundo o último relatório da Unicef, divulgado
este mês, não é a falta de alimentação
a responsável pela fome e desnutrição
nos paises emergentes, incluído o Brasil. Assim,
não haveria desrespeito ao direito da alimentação.
Sobre a saúde, e especificamente a mortalidade
infantil, as freqüentes doenças das crianças
desses países são, sim, reflexo da falta
de saneamento, de moradias inadequadas, de dificuldades
de acesso à água potável e outras
causas afins.
Em suma: ausência de planejamento, mães e
pais sem formação, infra-estrutura precária,
etc., e não falta de comida - ou o "genocídio"
do sociólogo - impedem que os excluídos
brasileiros consigam alcançar maior mobilidade
social rumo a uma vida melhor. Ao contrário do
que diz o socialista. Ziegler, a Unicef tem boas notícias:
o porcentual de subnutrição nos países
subdesenvolvidos, entre os quais o Brasil, caiu de 32%
há dez anos, para 28% (no México, para 25%).
Mais de 70% das casas desses países usam sal iodado,
protegendo, anualmente, 12 milhões de crianças
de problemas cerebrais decorrentes de falta de iodo. No
Brasil, essa proteção beira 94%.
Segundo a organização Médicos Sem
Fronteiras, todo ano 11 milhões de pessoas morrem
de fome, no mundo inteiro, vítimas da falta de
alimentos, mas também das chamadas doenças
negligenciadas - malária, aids, tuberculose, mal
de Cagas e dengue. Se ficarmos no enfoque da falta de
saúde, as denúncias de Ziegler ocorrem exatamente
quando o governo brasileiro se prepara para nova guerra,
ao apresentar a ONU um novo projeto para que seja garantido
o acesso aos remédios para tuberculose e malária
nos mesmos moldes dos remédios antiaids. (Ano passado,
após polêmica batalha na Organização
Mundial do Comércio, o Brasil conseguiu que o acesso
aos medicamentos antiaids fosse considerado um direito
humano, sob protestos do governo americano, o que ajudou
a legitimar sua lei de patentes.)
Garantido esse acesso, como ocorreu com a aids, haveria
mais investimentos na produção e distribuição
dos remédios contra a malária e a tuberculose,
reduzindo-se mais a mortalidade infantil e nos colocará
ainda mais longe do inaceitável "genocídio"
de Ziegler.
Quanto à violência urbana, ninguém
com - exceção, talvez, do próprio
sociólogo - ignora que o combate à criminalidade
é universal e preocupa todos os governos, inclusive
o da Suíça, um dos principais destinos do
crime organizado. No documento a ser entregue em setembro
à Assembléia-Geral da ONU, o sociólogo
socialista abordará problemas que o Brasil está
cansado de reconhecer, como a superlotação
de delegacias e presídios.Se a rápida viagem
do relator especial da ONU a São João de
Meriti e Duque de Caxias produziu apenas esses resultados,
pode-se supor que traria mais frutos se o destino tivesse
sido alguns países da África subsaariana,
da Ásia setentrional e outros da América
Latina.

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Os
sindicatos e a co-gestão
Extraído
da obra: DRUCKER, Peter. Administração em
tempos turbulentos. São Paulo: Pioneira, 1988. |
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O
aparecimento da sociedade de empregados também cria
um novo centro de turbulência nos sindicatos. Sua
própria sobrevivência está ameaçada
pelo fato de numa sociedade de empregados as empresas existirem
primordialmente para o benefício de seus funcionários,
que são os únicos "capitalistas"
na realidade, os únicos verdadeiros "proprietários".
Uma vez que 85% da renda nacional vai para os empregados,
o sindicato perdeu sua razão de ser original, a saber,
aumentar a parcela da renda nacional que vai para o "fundo
salarial". O máximo que um sindicato pode hoje
fazer é aumentar a parcela de seus membros às
custas de outros empregados. Os sindicatos tornaram-se,
portanto, os representantes de um interesse especial que
mantém a sociedade na ameaça de seu poder
- deixaram de ser representantes de uma "classe";
e não são tampouco representantes da "maioria
oprimida".
Vantagens econômicas não são, evidentemente,
a única razão de ser do sindicato - nem mesmo
dos sindicatos americanos de empresas. Um sindicato obtém
grande parte de seu apoio devido ao seu papel político
de oposição ao poder administrativo. Isto
explica por que quando uma empresa é nacionalizada
o resultado é sempre sindicatos mais fortes e mais
militantes, embora isto seja contrário à análise
marxista tradicional. Mas, na medida em que os empregados
estão assumindo funções cada vez mais
profissionais e administrativas, o poder da administração
é uma preocupação de importância
sempre menor. |
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Estes
empregados fazem parte do mesmo poder administrativo a
que se opõem. Um bom exemplo desta ambivalência
são os sindicatos militantes de professores universitários.
Estão interessados primordialmente em manter o
poder administrativo do corpo docente contra o corpo dirigente
da universidade, os legisladores e os contribuintes; não
estão interessados em limitar o controle administrativo
em si. E isto é típico dos sindicatos de
empregados administrativos e profissionais em geral. É
o que ocorre nos sindicatos dos servidores públicos
administrativos da Grã-Bretanha, cuja meta declarada
é obter para seus membros o pleno controle administrativo
e enfraquecer o controle do Parlamento e dos ministros.
Se o sindicalismo for compulsório, então
evidentemente cada grupo tem que se organizar por si.
É, portanto, possível que ainda vejamos
um "sindicato" de administradores de cúpula
vociferando que o diretor-presidente merece ter o seu
"justo lugar ao sol". Mas isto está muito
longe do sentido inicial dos sindicatos.
Como resultado, os sindicatos enfrentam nos países
desenvolvidos uma crise severa. Na realidade, em países
onde são relativamente fracos - Estados Unidos,
França, Japão - os sindicatos talvez estejam
em melhor situação do que na Grã-Bretanha,
Suécia ou Alemanha, onde são poderosíssimos.
O sindicato americano talvez esteja em condições
razoáveis por ser um fator relativamente secundário:
em 1980, ao menos no setor privado, os sindicatos representavam
uma proporção menor dos trabalhadores do
que no início da arregimentação sindical
sob o New Deal há quase cinqüenta anos. Em
1980, os sindicatos do setor privado arregimentaram quinze
ou dezesseis por cento do número total de trabalhadores,
em oposição a um máximo de trinta
por cento no término da Segunda Guerra (em 1933
era em torno de 18 por cento). É apenas no setor
público, onde não há nenhum "capitalista"
para ir contra, que o sindicalismo aumentou em termos
numéricos desde a Segunda Guerra. Enquanto o sindicato
permanece fraco, os empregados da sociedade têm
um real interesse em mantê-lo vivo como unia forma
de resseguro. A maioria não pertence a nenhum,
não paga suas taxas e não precisa se submeter
a suas ordens. E, no entanto, o sindicato é uma
ameaça sempre presente e evita que a administração
exerça um poder arbitrário. Mas quando o
próprio sindicato torna-se um poder -como na Grã-Bretanha,
no norte da Europa e até certo ponto na Itália-
ele passa a ser coercivo. E então passa a correr
perigo. (...)
Quando os sindicatos estavam confiantes em sua missão,
em seu papel social e em sua legitimidade, rejeitavam
a idéia de participar da administração.
Sabiam que tornar-se colega dos "patrões"
e assumir responsabilidade juntamente com eles só
enfraqueceria sua união. Hoje os sindicatos dos
países onde parecem estar mais fortes - Alemanha,
Escandinávia, Grã-Bretanha- estão
exigindo "co-gestão", ou seja, estão
querendo ser legalmente incorporados à estrutura
administrativa.
Isto representa em parte uma última tentativa desesperada,
e fundamentalmente fútil, de preservar o poder
da maioria de outrora, os trabalhadores manuais, contra
a nova classe média instruída e assalariada.
A proposta britânica de co-gestão mostrou
isso à luz do dia ao exigir que o sindicato representando
o maior grupo de trabalhadores preencha todas as vagas
do conselho de diretores. E os alemães lutaram
e perderam a mesma batalha quando exigiram que os funcionários
profissionais e o pessoal administrativo fossem excluídos
do conselho sob a co-gestão. A nova classe média
instruída destes países tende a ser tão
sindicalizada quanto os operários; e é frequentemente
muito mais "militante". No entanto, não
se considera representativa dos "oprimidos";
é antes um grupo com interesses específicos.
Talvez seja mais "liberal" que os operários
tradicionais, da mesma forma que os sindicatos classe
média de funcionários públicos americanos
tendem a ser.
Porém, as questões sobre as quais assumem
atitudes "liberais" estão muito distantes
das preocupações da classe trabalhadora
- relações inter-raciais, aborto, assuntos
internacionais, meio ambiente. Ser dominado pelos trabalhadores
intelectuais é o que os líderes sindicais
alemães e britânicos temiam e tentaram frustrar
ao apresentarem suas propostas de "co-gestão".
Mas fracassaram nesta tentativa, e provavelmente continuarão
fracassando. Por Outro lado, suas propostas também
expuseram o fato de que o operário de hoje tem
muito mais conhecimentos, informações e
educação que o de outrora - embora não
tenha responsabilidade proporcional a sua competência.
Sob este ângulo, a co-gestão é uma
reação a uma incongruência e ao fracasso
da administração de explorá-la como
uma oportunidade.
Co-gestão não é a solução
correta. A maioria das decisões que afetam os empregados
são decisões ao nível da comunidade
de trabalho e não ao nível da diretoria.
Acima de tudo, os representantes dos empregados sob a
co-gestão não são funcionários
da empresa, mas sim dirigentes sindicais que nada têm
empatado nela, que não têm interesse por
ela e que muitas vezes desconhecem-na. A co-gestão,
não importa em qual parte do mundo, é uma
exigência dos líderes sindicais e não
dos seus membros; é uma exigência de poder
e não de responsabilidade. Enfraquece a administração,
a empresa e a economia em geral; e não proporciona
à empresa, ao empregado ou à sociedade o
que necessitam. Não constitui uma vitória
dos sindicatos, mas sim um fracasso das administrações.

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