Informativo do Sindicato dos Administradores de SC - Ano XI - Nº 65 - Mai/Jun de 2004


Fortaleça sua representação Acompanhe a situação das negociações
Saesc quer resgatar contribuições previdenciárias
 INTERCEL planeja campanha salarial
 Lucyana Medeiros - Prêmio Saesc   Universitário   2003-2 Começa a CPI da privatização do setor    elétrico
Serviço jurídico  

Eleições do Saesc
Fortaleça sua representação


Dia 8 de julho todos os administradores associados ao Saesc poderão votar para eleição da nova diretoria da entidade que atuará no triênio 2004-2007. Seguindo os critérios do edital publicado no final do mês de maio, foi inscrita uma chapa. Mas para que ela de fato possa assumir a direção do Saesc é preciso um quorum mínimo de 50% dos associados mais um.
Há três possibilidades de votar nesta eleição. A primeira delas é por correio. Nos próximos dias você administrador estará recebendo por correio uma cédula, envelope e ofício orientando como proceder na votação. É importante ressaltar que o voto por correio deverá ser enviado antes, pois só serão aceitos aqueles que chegarem ao Saesc até o dia 8 de julho.
Se preferir, o associado que reside em Florianópolis poderá confirmar seu voto na própria sede do sindicato, onde haverá uma urna fixa ou através da urna itinerante que percorrerá os locais de trabalho durante todo o dia da votação.
O administrador José Nascimento, presidente da Comissão Eleitoral, reforça o significado desta eleição. "Mesmo que apenas uma chapa tenha se inscrito, é importante votarmos, pois assim estaremos reconhecendo nosso sindicato como entidade de luta em favor dos administradores para que cada vez mais conquistemos o nosso espaço".
A chapa para a nova diretoria é formada por administradores da Celesc, Codesc, Tractebel, Epagri, Cidasc, Sebrae, Casan, Ciasc, Celos, CRA, por aposentados e autônomos. São eles:

Para diretoria executiva

Titulares
• João Paulo de Souza
• Sary Reny Köche Alves
• Maristela Sombrio Godoy
• Dori da Silva Cândido
• Paulo Volnei de Oliveira Santos
• José Rosnei de Oliveira Rosa
• Mário César Silva
• Suplentes
• Manoel Henrique Deucher
• Tulnê Sebastião Velho vieira
• Paulo César Hildebrand
• Eliane Cristina Guerra
• Luiz Henrique Bernardo
• Arcênio Patrício
• Elisabet Márcia Scherer

Delegados Representantes em Entidades Superiores

Titulares
• João Paulo de Souza
• Arcênio Patrício

Suplentes
• Mário César Silva
• Sary Reny Köche alves

Conselho Fiscal

Titulares
• Marcos Wandresen
• Benhour de Castro Romariz Filho
• Ivo Finkler

Suplentes
• Alexandre Henrique Capistran
• na Lídia de Souza
• Carla R. M. R. de Albuquerque

Saesc quer resgatar contribuições previdenciárias

O Superior Tribunal de Justiça - STJ - vem firmando o entendimento de que o desconto da contribuição para o INSS no mês de dezembro de cada ano não pode ser feito separando-se o valor do 13° salário do total da remuneração do mês. É que a base de cálculo da contribuição previdenciária é limitada ao teto de R$ 1.800,00 em dezembro de 2003 e quem tem uma remuneração superior a este valor deve ter o cálculo da contribuição limitada a este teto, não importando que outras parcelas venham a ser pagas no mês, quer seja 13° salário ou qualquer outra componente da remuneração. Por isso, se o cálculo não foi feito desta forma, o empregado contribuinte tem direito de reaver o que pagou a mais, retroativo a 10 anos. Contudo isso só poderá acontecer pela via judicial, com ações contra o INSS. "O Saesc coloca-se à disposição dos administradores catarinenses, associados ou não, para promover ações cabíveis com vistas à sustação do Desconto sobre o 13 salário de 2004, assim como a restituição dos valores recolhidos nos últimos anos, corrigidos monetariamente", explica o presidente do Saesc, Adm. João Paulo de Souza.

SERVIÇO JURÍDICO

O Saesc dispõe de assessoria jurídica gratuita para os associados que de alguma foram sentirem-se lesados no seu direito de trabalhador.

Acompanhe a situação das negociações

Agricultura

A mobilização permanente dos empregados das estatais da agricultura foi o fator
principal que levou o Governo do Estado a apresentar uma proposta aos trabalhadores que culminou com a aprovação numa assembléia histórica com mais de 700 pessoas de todo o estado. Foi a primeira vez que estes trabalhadores conseguiram uma proposta do governo antes de todas as demais categorias ligadas ao Estado.
Ainda que com atraso - já que a data-base é maio - os trabalhadores
aguardaram uma rodada de negociação de mais de quatro horas no dia 15 de junho e saíram de certa forma satisfeitos, aprovando uma proposta. O governo de início acenava com reajuste zero, mas o empenho dos sindicatos da Intersa assegurou os seguintes avanços:
- Reajuste de 4,2%, parcelado em três vezes: 1,4% do mês de maio, com base no salário de abril a ser pago na folha de junho;1,4% na folha de novembro e 1,4% será pago em março de 2005.
- O vale alimentação/refeição aumentou de R$10,00 para R$ 12,00 e será pago na folha de março de 2005.

Codesc e Santur

Com o fechamento do acordo nas empresas de agricultura, também os acordos na Codesc e na Santur deverão progredir, visto que historicamente estas duas empresas assinam os ACTs depois do acordo fechado pela Intersa.

Casan

A preocupação é grande Os empregados da Casan estão enfrentando atualmente três grandes desafios. O primeiro deles é a própria manutenção da
empresa, tendo em vista as diversas cidades que pretendem municipalizar o serviço de água e esgoto, como já aconteceu em Itajaí, Lages, Itapema e pode ser o futuro também de Joinville, o maior cliente da Casan. Outro fator é a permanente instabilidade, já que a empresa dispõe de alguns estudos que apontam a necessidade de demissão de cerca de 300 pessoas. Soma-se a isso a CPI da Casan que está acontecendo na Assembléia Legislativa.
Diante desse quadro, os trabalhadores não estão conseguindo evoluir nas negociações para o acordo coletivo. Mesmo com data-base em maio, a primeira rodada de negociação aconteceu somente no dia 16 de junho e não trouxe nenhum avanço.

ACORDOS FECHADOS

SEBRAE:
O Saesc e o Sindaspi assinaram dia 25 de maio o acordo com o Sebrae. Foram renovadas as cláusulas sociais do acordo vigente, obteve-se um reajuste de 5,5% (reposição da inflação) e um abono coletivo a ser pago em dezembro de 2004, desde que o Sebrae cumpra suas metas financeiras. Houve ainda um comprometimento da empresa em reconhecer no acordo o plano previdenciário que já existia. Além disso, o Sebrae irá complementar o auxílio doença/acidentário enquanto o empregado estiver afastado por motivo de saúde, pagando na mesma data que os demais funcionários, descontados os valores repassados pela Previdência Social.

CRA:
Os Conselhos Regionais não assinam mais acordos coletivos e sim baixam resolução de acordo com o definido nas mesas de negociação. Depois das reuniões com o Saesc, o CRA renovou todas as cláusulas sociais em vigor e concedeu uma gratificação de 150% da remuneração fixa do empregado, não um reajuste. O vale alimentação passou de R$ 7,00 para R$ 8,50 e no plano de saúde, houve a inclusão do cônjuge, que até então só atendia empregados e filhos.

INTERCEL PLANEJA CAMPANHA SALARIAL

Ampliar a garantia de emprego, a isonomia de direitos entre todos os empregados, a participação nos lucros e resultados, a reposição da inflação do período e o aumento real de salários e redefinir os serviços terceirizados na Celesc são as principais metas a serem alcançadas pelos eletricitários catarinenses na próxima campanha de data-base que inicia em julho com assembléias regionais.


Os sindicatos da Intercel realizaram seu planejamento dias 31 de maio e 1° de junho em Lages, reunindo cerca de 50 pessoas, entre dirigentes sindicais e convidados.

 

 

 

 

ENTREVISTA
Lucyana Medeiros - Prêmio Saesc Universitário 2003-2


O curso de administração preencheu as expectativas que você tinha quando entrou na universidade?

Foi muito mais do que eu esperava.
O que mais marcou para você neste período de acadêmica?
As palavras do Prof. Pedro Araújo, na segunda semana do primeiro semestre. Eu estava desanimada, até então não havia gostado de nenhuma das aulas que tinha assistido. Na verdade, naquela época eu gostaria de ter prestado
vestibular para Direito, mas a concorrência por vaga estava muito grande e não havia me preparado suficientemente, então optei por Administração com a intenção de posteriormente tentar uma transferência de curso. Estava com os pensamentos longe, quando voltei meus olhos para o Professor que estava dizendo mais o menos o seguinte:"Na vida nós temos duas opções para sermos felizes: fazer o que se gosta ou aprender a gostar do que se faz. Nem todos têm a chance de optar pela primeira, mas todos podem optar pela segunda." Foi como receber uma bela sacudida e acender aquela luz no fim do túnel. Por que eu não posso aprender a gostar do que eu estou estudando? A partir
daquele dia a minha vida mudou completamente. Aprendi a gostar de Administração de uma maneira tão intensa que logo a idéia de fazer Direito se dissipou completamente da minha cabeça. Adorei o curso e hoje não me vejo formada em outra área.

Pretende trabalhar como administradora? Fizeste estágio ou já atua na área?

Trabalhei por 11 anos na área de contabilidade. Desde dezembro mudei de cidade por motivo de trabalho do meu esposo (moro em Presidente Nereu, interior de SC), e estou procurando trabalho na área administrativa.
Há poucos dias prestei concurso público promovido pela prefeitura local para o cargo de Coordenador Administrativo. Estarei completamente realizada quando puder aplicar na prática os conhecimentos que adquiri no Curso de Administração.

Na sua opinião, qual o maior desafio do administrador no século XXI?

Acredito que o maior desafio do administrador é conciliar o exercício da profissão com a ética e com a responsabilidade social e ambiental, fazendo da sua empresa, instituição, município, estado ou país um lugar cada vez melhor em todos os sentidos. Além disso, há cada vez mais cursos de Administração no país, e, conseqüentemente, mais profissionais espalhados por aí se devorando para conseguir uma vaga no mercado de trabalho. Na verdade, o que precisamos é de profissionais que saibam fazer a diferença, que sejam competentes de tal maneira que se tornem essenciais e que consigam administrar as próprias carreiras a ponto de estarem sempre atualizados, buscando as melhores oportunidades onde quer que estejam, sendo colaboradores ou sendo empreendedores.

Como você recebeu o Prêmio Saesc e o que acha da iniciativa?

Fiquei emocionada, até mesmo sem palavras... Acho brilhante essa iniciativa de premiar aqueles que mais se esforçaram no Curso, pois realmente trata-se de uma grande conquista, visto que as dificuldades de se conseguir um diploma de graduação em Administração em uma Universidade de qualidade realmente se traduzem em suor e lágrimas. E, numa situação dessas, o reconhecimento por parte de órgãos como o Saesc, o CRA e a UFSC é muito gratificante.

 

Começa a CPI da privatização do setor elétrico

Desde que assumiu uma vaga na Câmara Federal, o deputado catarinense Mauro Passos (PT) tem atuado prioritariamente junto ao setor elétrico. Participou de todas as discussões sobre o novo modelo para o setor, representou o Brasil no Fórum Social Europeu, apresentando o Programa Luz para Todos. Membro titular das Comissões de Minas e Energia e ciência e Tecnologia, o engenheiro que tornou-se sindicalista quando funcionário da Eletrosul está agora empenhado na efetivação da CPI da privatização do setor elétrico, instalada no mês de maio. Na primeira quinzena de junho foi nomeado relator desta CPI. É sobre isso que ele falou ao Jornal do Saesc.

A crise de energia no Brasil poderia ser evitada sem as privatizações?
Sim. As justificativas do governo passado de que fora pego de surpresa e de que a principal causa da crise que levou aos apagões foi a falta de chuvas, e que a responsabilidade era dos governos anteriores que não investiram no setor de energia, foram imediatamente desmentidas por dados e informações oficiais dos próprios órgãos governamentais e de especialistas em energia. A crise demonstra que a privatização de um setor estratégico de base da atividade econômica foi um erro do governo federal que deveria sofrer as sanções da lei. O sistema energético brasileiro foi vendido em retalhos, como empresas "independentes" e por isso o planejamento energético ficou comprometido e considerado uma das mais importantes causas da crise no setor elétrico.Ao todo foram vendidas 21 empresas do sistema e arrecadados US$ 30,05 bilhões. Um terço desses recursos daria para construir 33 usinas termelétricas a gás natural com capacidade de gerar 16.500 MW cada, o que significa 22,83% da capacidade instalada, que é de 72.249 MW. Com essa capacidade de geração não haveria crise de energia. As empresas estatais remanescentes foram obrigadas a cortar gastos e impedidas de investir para atender o plano de metas fiscais do governo federal. Os investimentos despencaram, na média anual, de US$ 13,9 bilhões, na década de 80, para menos de US$ 5 bilhões, de 1994 a 2000.Com essa irracional contenção de investimentos as hidrelétricas passaram a usar os reservatórios de água além dos limites, e aqui vale lembrar que as hidrelétricas são responsáveis por 95% da energia consumida no país. No setor hidroelétrico, água é poupança de energia. O armazenamento no sistema Sudeste no final de cada período de chuvas, mês de abril, em 1997, era de 88,6%, e foi caindo. Em 1998, 81,8%, em 1999, 69,9%, em 2000, 59,4%, e em abril de 2001, 32,2%. Enquanto isso, a tarifa de energia aumentou 70% acima da inflação. O problema da privatização é que as empresas não garantem a oferta de energia antes que o mercado apresente demanda. Os investimentos só são feitos quando há contratação antecipada da demanda e para isso é preciso que haja escassez de energia.

Em que uma CPI do setor pode reverter esse quadro?

Para reverter vai levar muito tempo, mas acredito que uma CPI provará com mais elementos do que já dispomos, de que a privatização do setor elétrico foi um fracasso e que não deverá ser feita novamente no nosso país. Veja, a população foi a grande perdedora. Além do que eu disse anteriormente, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), um banco público, de fomento, formado basicamente por recursos de fundos constitucionais como o FAT e outros, tornou-se a principal vítima dos ditos compradores. O caso AES/Eletropaulo, por exemplo, é o mais bem acabado exemplar das irregularidades ocorridas no processo de privatização do setor elétrico. O caso virou notícia internacional, onde foram mostrados os detalhes das transações que resultaram no acordo com a Enron para comprar a Eletropaulo por lance mínimo.O Ministério Público, que tem feito um extraordinário trabalho de investigação do processo de privatização das estatais brasileiras, teve com a AES a mesma atitude que teve com a Eletrosul e outras: abriu inquérito para apurar o caso e está determinado a levar os responsáveis pelas irregularidades cometidas aos tribunais. Os trabalhos estão avançados, mas entendo que a Câmara Federal não pode se eximir destas responsabilidades.

O que foi feito até o momento?

Bem, já houve audiências públicas convocadas pela Comissão de Minas e Energia sobre o caso AES/Eletropaulo e sobre a cisão da Eletrosul. Estes encontros foram importantíssimos, pois deram a dimensão dos estragos e o que principalmente o Judiciário está fazendo nestes casos. Acho que além da CPI que estamos empenhados no Congresso, é importante ressaltar a iniciativa do Ministério de Minas e Energia em cancelar todas as privatizações do setor elétrico que estavam em andamento. É uma demonstração do governo federal de que a política que vinha sendo conduzida até então não serve mais para o novo modelo do setor elétrico.

Você está otimista com esta CPI?

Bastante. As audiências realizadas no Congresso já deram subsídios suficientes para que façamos uma varredura nestas privatizações. Não podemos compactuar com o prejuízo de mais de R$ 1 bilhão acumulado pelo BNDES somente no ano passado. O endividamento médio das empresas de energia já superou 82% do patrimônio líquido e a dívida atual do setor é de R$ 86 bilhões. Agora é preciso aguardar os trâmites constitucionais na Câmara para que de fato ela funcione e não fique numa gaveta. Todos nós só temos a ganhar com a verdade.Entendo que com esta CPI somaremos esforços ao trabalho que já está sendo feito pelo Ministério Público, pelo Tribunal de Contas da União e pelo atual governo para combater a corrupção e o crime organizado.


 



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