Editorial
O
estatuto da cidade e o desafio aos municípios
Desde
julho de 2001 está em vigor em todo o país a Lei
10257, conhecida por Estatuto da Cidade. Ele é fruto de
um difícil e vagaroso processo de tramitação
que durou mais de uma década e que teve, durante os debates
para a redação final, o envolvimento de todos os
setores relacionados com o espaço urbano.
No
Estatuto da Cidade estão previstos o parcelamento ou edificações
compulsórios, o IPTU progressivo e a desapropriação
com pagamento mediante títulos da dívida pública.
E, o que é considerado mais importante, o Estatuto da Cidade
reserva espaço privilegiado para a participação
popular nas decisões acerca das questões urbanas,
como a solicitação de estudo de impacto de vizinhança
e de audiências públicas.
O
Brasil é um país essencialmente urbano. Mais de
80% da população e a maior parte das atividades
econômicas estão em áreas urbanas e é
nestas áreas também que estão os problemas
mais difíceis para o Poder Público administrar com
a eficiência necessária.
O
Estatuto da Cidade só poderá ajudar de fato as cidades
e seus moradores se sobretudo as prefeituras fizerem a sua parte.
Alguns elementos da lei precisam passar pelas Câmaras de
Vereadores. Entre eles a adequação do plano diretor
para cidades com mais de 20 mil habitantes ou, se não alcançarem
esse coeficiente, se integrarem em regiões metropolitanas,
com interesse nas questões turísticas ou se inseridas
em área de influência de grandes empreendimentos
de significativo impacto ambiental.
As
Prefeituras precisam enviar às Câmaras projetos que
contemplem estas questões e que permitam ampla participação
da sociedade, para que entrem em vigor até 2006.
Assim,
a aprovação da lei pelo Congresso Nacional foi apenas
o primeiro passo. Se o Município é, por excelência,
o lugar da solução dos problemas urbanos, é
nele que a sociedade, juntamente com o poder público local,
devem definir a cidade onde todos querem viver.
Mas
a tarefa das prefeituras não se resume apenas a novas leis
municipais. As diretrizes gerais do Estatuto da Cidade impõem
um novo e complexo sistema de atuação na questão
urbana, marcado, sobretudo pela gestão democrática.
O
administrador público, mais que um ser político,
tem que ter a percepção de futuro para sua cidade
e buscar o que de melhor pode fazer para que seu município
fique cada vez melhor. Essa é a função social
do administrador público. Se nada mudar para melhorar a
qualidade de vida na cidade durante uma gestão, então
para que serviu o título de administrador? O Saesc sugere
que prefeitos e vereadores, principalmente os administradores,
não percam a oportunidade de transformação
que o Estatuto da Cidade está concedendo. O sucesso vai
depender da iniciativa de cada um.
NOTAS
Eleição
Se você quiser contribuir mais ativamente com o Saesc, debatendo
as questões profissionais e a atuação prática
e política da entidade, seja um delegado sindical. A eleição
serão em 19 de agosto e você poderá candidatar-se
a partir de 17 de julho. Antes disso o Conselho Deliberativo irá
se reunir para definir as delegacias eleitorais, o número
de vagas e outras questões.
Curso
Terá início em agosto o Curso de Pós-Graduação
de gestão de práticas profissionais e pesquisa científica,
com duração de dois anos. Segundo os organizadores,
o objetivo deste curso inédito no Brasil é desenvolver
a pesquisa científica a partir do cotidiano para subsidiar
as práticas profissionais. É voltado para administradores,
assistentes sociais e profissionais que atuam em pesquisas. As
inscrições vão até o dia 30 de junho
e podem ser feitas através do site www.cress-sc.org.br
ou pelo telefone 48 224-6135. As aulas acontecerão no auditório
do Conselho Regional de Serviço Social, que fica no mesmo
prédio do Saesc, em Florianópolis.
Tractebel
A Tractebel adiantou o pagamento da PLR 2003, equivalente a 1,4
remuneração mensal do empregado a todo o seu quadro
funcional. O benefício foi pago em 16 de maio. Este pagamento
é uma conquista dos empregados, visto que em 2002 a empresa
não apresentou lucro.
Reforma
A sede do sindicato acabou de passar por uma reforma. As duas
salas da entidade, situadas no edifício Aplub - centro
de Florianópolis - tiveram a velha forração
substituída por piso, o que deixou o ambiente mais claro
e higiênico. Também foi adquirido mais um computador
para os trabalhos diários do Saesc e a sala de reuniões
ficou mais ampla. Venha conferir as mudanças e faça
uma visita ao Saesc. Ele está de portas abertas em horário
comercial.
Reforma
da previdência:
Sindicato
apóia servidores
A
diretoria do Saesc está apoiando a postura dos servidores
federais contra o projeto de Reforma da Previdência, enviado
pelo governo ao Congresso. Para o sindicato, este projeto é
inoportuno e não promove inclusão social, como alega
o Governo. Além disso defende que a ordem jurídica
deve ser preservada e os direitos adquiridos, mantidos. "A
cobrança de inativos é inconstitucional e dificilmente
o Tribunal de Justiça aprovará este projeto",
comenta o presidente do Saesc, João Paulo de Souza. Para
pressionar o governo, os servidores aprovaram indicativo de greve
por tempo indeterminado a partir de 8 de julho.
Saesc
fecha acordo com CRA e Sebrae
Com 15% de reajuste salarial sobre a remuneração
de 30 de abril e mais 20% no vale refeição e auxílio
alimentação, além da manutenção
das cláusulas do acordo passado, o Sebrae assinou o acordo
coletivo com o Saesc e o Sindaspi. Mas este acordo só teve
êxito graças à mobilização da
categoria, que rejeitou a primeira proposta do Sebrae de reajuste
de 11% em assembléia geral com voto secreto em 30 de maio.
Este foi um fato inédito nas negociações
com o Sebrae e foi fundamental para o fechamento como os trabalhadores
haviam solicitado na pauta.
Já
no Conselho Regional de Administração com a acordo
assinado com o SAESC, os empregados tiveram um reajuste integral
do INPC - 19,36%, pago em duas parcelas iguais em 1° de maio
e em 1° de outubro. Também no CRA o reajuste incide
sobre a remuneração de 30 de abril. Outro ponto
positivo no acordo foi a inclusão dos dependentes diretos
dos empregados no plano de saúde, além da manutenção
das cláusulas do acordo anterior.
Governo
de SC não avança nas negociações
A data base das empresas do governo - Epagri, Cidasc, Icepa, Ceasa,
Codesc, Santur e Casan - passou e até o momento o Governo
do Estado não apresentou nenhum plano de reajuste salarial.
Os diretores das empresas alegam que não podem assinar
nada enquanto o CPF - Conselho de Política Financeira do
Estado - não der sinal verde. Enquanto isso os trabalhadores
e os sindicatos ligados à Intersa da qual o SAESC faz parte,
que estão tentando negociar desde março, buscam
pressionar o governo, participando de mobilizações
e sendo solidários aos professores, que estão enfrentando
o mesmo problema. A reivindicação base destas categorias
é a reposição das perdas de acordo com o
INPC (19,36%) e mais 27% ainda devido pelos governos anteriores.
O Saesc lamenta esta postura do Governo do Estado, visto que uma
de suas plataformas de campanha foi justamente a valorização
do funcionalismo público. Acredita que é possível
avançar, mas para isso o Governo precisa se dispor a negociar
com os sindicatos. Caso contrário, as categorias buscarão
outras formas para pressionar a negociação, entre
elas o apoio parlamentar e a própria intermediação
do Ministério do Trabalho.
Celesc:
Aposentados têm vitória
Após quase três anos de indecisão, os aposentados
da Celesc tiveram uma vitória importante na Justiça
do Trabalho neste mês de junho. Os aposentados, ameaçados
de demissão, entraram na justiça com uma ação
littis consortis para defender a Celesc. Ou seja, como pessoas
diretamente interessadas no litígio, deixaram evidente
que nenhum acordo entre a empresa e a Procuradoria poderia ser
feito sem a sua aprovação. O diretor do Saesc, João
Paulo de Souza, foi o advogado assistente de defesa na ação.
Além
disso está para ser aprovado no Tribunal Superior do Trabalho
a reformulação da orientação jurisprudencial
nº 177 que permitirá a todo o aposentado pelo INSS
continuar trabalhando nas empresas públicas.
Empregados
da Celesc discutem pré-pauta
Será entre os dias 7 e 11 de julho as assembléias
regionais para análise da pré-pauta ao acordo coletivo
2003/2004. A Assembléia estadual será dia 2 de agosto,
em Florianópolis. Entre os pontos a serem debatidos pelos
empregados estão a garantia de emprego, a reposição
salarial, produtividade, concurso público, extensão
de direitos aos novos e a manutenção das conquistas.
Os acordos da Celesc têm um papel importante, pois são
parâmetro para as demais negociações. além
disso os empregados querem ver a implantação do
novo modelo de gestão.
Criado
o prêmio Saesc Universitário
A partir deste ano o Saesc premiará o aluno formando classificado
em 1° lugar no Curso de Administração da Universidade
Federal de Santa Catarina por semestre. O objetivo do prêmio
é estimular a reflexão, a competição,
o desenvolvimento e o aperfeiçoamento dos alunos de Administração,
visando a colocação de profissionais diferenciados
no mercado, com potencial de criatividade, liderança e
habilidade de aplicar as técnicas da
ciência da Administração. O Prêmio,
que terá o valor de R$ 800,00 e será entregue no
ato da formatura. Na 1ª edição, o SAESC estará
contemplando o melhor aluno entre formandos do 1º semestre
de 2003.
ARTIGO
Dicas
a iniciantes (mercado de capitais)
Adm.
Juares de Jesus, Administrador de Grupos de Investimentos
A
maneira mais fácil de se lançar no mercado dos negócios
como objetivo de adquirir auto conhecimento e criar afinidade
com as armadilhas do setor é sem sombra de dúvidas
através da formação de pequenos grupos de
investimentos, não com a idéia da busca de economia
com custos de administração, mas sim com o conceito
de conduzir seus recursos pessoalmente.
Antes
vamos às estatísticas: segundo dados da Proshare,
uma organização do Reino Unido, o primeiro Clube
de Investimentos surgiu nos Estados Unidos há mais de 100
anos e hoje existem naquele país cerca de 60 mil clubes
totalizando mais de um milhão de membros. No no Brasil
eles surgiram há mais de 20 anos e os registros da Bolsa
de Valores de São Paulo (Bovespa) indicam pouco mais de
300 em atividade. Os clubes são em sua maioria formados
entre grupos de amigos, colegas de trabalho, vizinhos, membros
de clubes sociais ou de esportes e por familiares. A minha dica
é de formação de um pequeno grupo de pessoas
(de 20 a 30 e no máximo 50) originários dentre aqueles
citados acima que possibilite uma arrecadação mensal
entre 2 e 3 mil reais. Nomear 5 administradores do grupo para
divisão de tarefas (cadastro, balancetes, pesquisas, consultas
a especialistas e ordens de compra e venda), abre-se uma conta
solidária entre 3 dos 5 administradores. Promove-se a arrecadação
por um período de 1 ano com mais 1 de carência, ou
seja, num período de 2 anos nenhum membro do grupo poderá
pedir resgate de cotas.
Depois
dos dois de experiência, dependendo dos resultados, encaminha
o registro do grupo para tornar-se Clube de Investimentos. É
começar pelo começo.
Ações
São títulos de renda variável emitidos por
Sociedade Anônima, representam a menor fração
do capital da empresa que os emitiu. O investidor que compra ações
de uma companhia torna-se um co-proprietário dela e passa
a ser chamado de acionista minoritário. Uma ação
pode ser ordinária ou preferencial, o que confere direitos
distintos ao seu detentor. Como esse mercado é muito volátil,
é recomendado apenas para investidores que têm apetite
para risco.
Fundos
Comunhão
de recursos, constituída sob a forma de condomínio,
que tem o objetivo de conseguir ganhos de capital através
da negociação de títulos e valores mobiliários.
Podem ser especializados em determinados tipos de investimento,
como renda fixa ou renda variável, e são regulados
pela CVM e pelo Banco Central. As aplicações num
fundo de investimento são feitas pela compra de cotas.
São administrados apenas por instituições
autorizadas.
PGBL
Significa
Plano Gerador de Benefícios Livres e é a melhor
opção para quem deseja investir na aposentadoria.
Na prática, é um plano de previdência que
repassa para o cliente todo o rendimento obtido com o investimento
do dinheiro, sem cobrança de impostos. A administração
do dinheiro é mais transparente, como num fundo de investimento
comum. É possível definir com precisão a
política de aplicação dos recursos, pois
os diferentes PGBLs são classificados por esse critério.
Crise
de competência de ética na administração
pública
Adm. Walmor Tadeu Schweitzer, Delegado do CRA/SC
Professor
de Ética Geral e Profissional da UNIPLAC
O
insucesso das finanças públicas no Brasil está
centrado basicamente na falta de competência administrativa
e na ausência de ética dos nossos governantes. A
maioria dos nossos executivos públicos, ao formar a sua
equipe de trabalho, não leva em conta a qualificação
técnica que o cargo requer para o desempenho das variadas
funções administrativas. Em pleno século
XXI, temos pouquíssimos profissionais administradores atuando
no serviço público. Embora o Brasil forme Administradores
públicos competentes, eles são os primeiros a ser
preteridos para os principais cargos da administração
pública. O escolhido é colega de campanha, membro
da família ou correligionário partidário.
O
que se observa é a não aplicação das
técnicas da Ciência da Administração
nas atividades do setor público. Os recursos naturais que
possuímos indicam que o problema não é econômico,
mas, sim, de gerenciamento. Não sabemos administrar nossas
dívidas, não sabemos administrar nossa previdência
e segurança, não sabemos utilizar a legislação
tributária de forma eficiente e eficaz, não elegemos
prioridades na aplicação dos recursos públicos
e, por fim, não existe um planejamento, e quando existe,
não é cumprido.
Os
Estados Unidos são a maior potência econômica,
não pela qualidade de suas teorias econômicas, mas
pela qualidade de suas teorias administrativas.
A
Constituição Brasileira de 1988 estabeleceu uma
nova visão de administração, fazendo com
que os entes da federação gerem os recursos necessários
à sua auto-sustentação. Para que isto seja
possível, é imprescindível o ingresso no
setor público de profissionais Administradores competentes
que por certo irão colocar na prática os métodos
e técnicas da Ciência da Administração.
Segundo
o mestre Drucker, não existe país sub-desenvolvido,
existe país sub-administrado.
O
outro aspecto do insucesso das finanças públicas
se refere a falta de consciência ética dos nossos
gestores públicos. Nunca o tema "Ética"
esteve tão em evidência como agora. O mau exemplo
no uso dos recursos públicos, tem provocado um sentimento
de indignação da sociedade brasileira, demonstrado
através dos veículos de comunicações,
discussões públicas em seminários, conferências
e debates.
Os
desvios nos padrões éticos no Brasil chegaram tristemente
celebrizar a conhecida "lei de Gérson" para se
referir a uma situação em que vale tudo para se
obter vantagens.
De
nada vale discurso sem a prática correspondente, e conduta
ética não é artigo que se encontre à
venda em bazares ou bancas de jornais.
Uma
corrupção não justifica a outra. É
preciso quebrar essa cadeia de comando viciada que não
conduz a um salutar processo de limpeza ética das ações
cotidianas.
É
preciso ter coragem para perder e ter prejuízos de curto
prazo, para que, mais tarde, o lucro seja convertido em dignidade,
respeito e felicidade.
A
ética está presente no seu dia-a-dia nas relações
pessoais. Não adianta ser um adepto da ética de
fim de semana, baseada tão só no voluntarismo e
esquecer estes preceitos durante a semana no ambiente de trabalho.
É
preciso consciência ética. Consciência que
vai além do cumprimento restrito de normas especificadas
nos códigos. Atinge sobretudo a questão da qualidade
de vida e o compromisso com o futuro do povo brasileiro.
A
qualificação ética é tão ou
mais importante que a qualificação técnica.
Uma precisa da outra para construir o alicerce do administrador
público.
De
nada valerão as reformas política, fiscal , tributária
e outras, tão exigidas pela sociedade brasileira e prometidas
pelos políticos em suas campanhas eleitorais, se os setores
públicos não possuírem, em seus quadros,
administradores competentes e acima tudo éticos.
Por fim, quero frisar que a crise que hora enfrentamos não
foi causada durante todos estes anos por legislações
inadequadas, e, sim, por uma crise de competência administrativa
e de compromissos éticos, cuja cultura herdamos desde os
primórdios da formação da nação
brasileira.

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