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Informativo
do Sindicato dos Administradores de SC
Ano IX - Nº 51 - Janeiro/Fevereiro de 2002
Qual
a função de um sindicato?
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No
Brasil a legislação existe para quem tem emprego
registrado e está aí o grande impasse de todos
os sindicatos, pois a cada momento cresce o número
de trabalhadores informais e autônomos. O Saesc não
é a única entidade a sentir as mudanças
vindas com o plano econômico em curso no país,
responsável pela mudança na relação
de trabalho. No entanto, apesar de terem ciência desta
nova visão de emprego, os administradores ainda não
encontraram soluções para tal dilema.
Por muito tempo nossa entidade representou, em sua imensa
maioria, os profissionais do setor público. |
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Só
aí já enfrentávamos problemas com
nossos associados, pois o administrador é o trabalhador
que tem que pensar como e pelo patrão, isso quando
ele próprio não é o patrão.
Ainda assim, buscamos defender e seguir o que nosso estatuto,
apresentado aos associados em novembro de 1994, defende:
que o Saesc é uma entidade que tem o dever de representar
sua categoria e os interesses individuais de seus associados
perante as autoridades administrativas e judiciárias;
celebrar convenções, acordos e contratos
coletivos de trabalho ou suscitar dissídios,; manter
relações com as demais entidades de trabalhadores
de todas as categorias profissionais, com vistas à
concretização da solidariedade social e
defesa dos interesses municipais, estaduais e nacionais
e preservação das instituições
democráticas da sociedade brasileira; lutar contra
as formas de opressão e exploração
e prestar solidariedade à luta dos trabalhadores
do mundo inteiro; zelar pelo cumprimento da legislação
que assegure direitos à categoria e aos trabalhadores
em geral; estimular e promover a organização
da categoria por local de trabalho, empresa ou região,
lutando pelo fortalecimento de consciência da organização
sindical; integrar o momento dos trabalhadores administradores
com o de todas entidades populares e sindicais que visem
promover luta de defesa dos direitos e interesses, bem
como na construção de uma sociedade justa
e democrática; entre outros.
Relembramos
alguns de nossos deveres, principalmente por termos sido
questionados por um de nossos associados de que o Saesc,
através de seu jornal, não estaria tendo
a aprovação da maioria dos administradores
de SC, pois a publicação parece jornal
de metalúrgico do ABC. De fato, a última
edição de 2001 (a de nº 50) tratou
de assuntos pesados, mas não poderia ser diferente.
Quando se fala em mudanças na legislação
trabalhista, se levarmos em conta os deveres acima citados,
o Saesc não poderia ter outro posicionamento: somos
contrários sim! É possível que o
futuro nos mostre que estivemos errados, mas no momento
e por sabermos a realidade em que vivem os trabalhadores
do Brasil, manteremos nossa posição.
Quanto
às vantagens em se associar ao Saesc, é
preciso que se diga que esta entidade tem, sobretudo uma
motivação ideológica com finalidade
política: de que ela pode unir nossa categoria,
faze-la forte e respeitada para que seja ouvida. Um sindicato
sério não pode ser entendido na lógica
empresarial do custo/benefício; ele não
é uma empresa. Sabemos que ao fazer a crítica
em prol do lado mais fraco, muitos administradores não
se vêem nessa situação. Mas constituir
uma categoria respeitada e mudar a sociedade para melhor
não será possível se a fragmentarmos
e sim pensarmos no todo fracos e fortes, de preferência
sem danos a ninguém.
É
um desafio que não só o Saesc enfrenta neste
novo milênio, mas todos os sindicatos. Cabe a cada
associado refletir se está satisfeito com sua entidade,
criada a partir de um consenso de que o assistencialismo
não cabe a um órgão político
por natureza. As mudanças que o Saesc precisa implementar
passam obrigatoriamente por este debate. Críticas
são importantes, mas sem sugestões concretas
de melhorias nada vai adiante.

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Quando
a qualificação é uma exigência
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As
grandes empresas do Estado estão cada vez mais
investindo na qualificação de
seus
dministradores. Para isso não poupam incentivos
em programas internos e para que os empregados busquem
formação pessoal.
No
setor elétrico, por exemplo, a Eletrosul (que é
estatal) está desenvolvendo o Programa de Qualificação
Empresarial, que abrange desde a direção
até a função técnica. O curso
de MBA em Gestão de Negócios voltado para
o setor elétrico, feito em parceria com a UDESC/ESAG
, conta atualmente com uma turma de 50 pessoas, a maioria
gerente. Normalmente temos mais demanda que vagas.
Em 2001 superamos os índices de treinamento homem/hora,
ficando próximo ao que é aplicado no Canadá,
comenta a gerente da Área de Desenvolvimento e
Acompanhamento de Pessoal, Nara Maria da Silva Stringari.
Ela comenta que a próxima iniciativa para este
ano será a Universidade Cooperativa.
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Já
a Gerasul tem um Programa de Desenvolvimento aplicado
a toda a carreira gerencial da empresa. A empresa também
opta por cursos específicos desenvolvidos pelo
Departamento de Recursos Humanos, mas também investe
no incentivo para que o empregado faça cursos de
línguas ou pós-graduação.
Neste caso a Gerasul arca com 60% do valor do curso,
sendo que a aprovação do auxílio
é definida pelo próprio diretor da área,
explica o gerente do DRH, Geazi Correa.
A
formação acadêmica e em línguas
é um incentivo de grandes empresas por todo o estado.
Na Datasul, em Joinville, há o Programa de Bolsa
de Estudo, subsidicando as mensalidades de cursos de graduação
e de idiomas em 50%, com teto de R$ 200,00 e para pós
graduação, também da metade do valor,
sem teto. Além disso a Datasul Corporação
tem programa de treinamento anual, com 100% das despesas
pagas pela empresa, comenta a Gerente de Gestão
do Conhecimento e Recursos Humanos, Inês Maria de
Fátima Robert.
Em
outra empresa em São José, a Intelbrás,
desde 1997 não são mais realizadas contratações
de empregados sem o ensino médio. Quando
tomamos esta decisão, trouxemos um supletivo para
dentro da empresa e, dependendo da faixa salarial a empresa
paga até 90% do curso, explica Leones Antônio
Mônego, Gerente de Recursos Humanos. Ele informa
que a Intelbrás investe na formação
de seu quadro cerca de R$ 30 mil mensais, contando hoje
com 180 colaboradores, extensivo aos escritórios
que tem em todo o Brasil.

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Ética
faz sentido?
Maria Cecília Coutinho de Arruda, Professora Adjunta
da FGV/EAESP
(Revista Conjuntura Econômica,
Junho de 2001)
Ponto
de partida para compreender uma liderança ética
são os valores: honestidade, integridade, responsabilidade
pelos próprios atos, justiça. Tudo isso
se espera de um líder, de qualquer pessoa em posição
de poder e responsabilidade em uma organização,
seja ela pública, privada ou de serviços.
Antes, a falta de ética representava um risco para
empresas que lidavam com seguros, por exemplo. Agora,
qualquer instituição corre o risco de ver
seu nome nos jornais se não for administrada por
lideres honestos. Na esfera pública ou privada,
altos executivos que não se exercitem na liderança
ética podem causar problemas que dificilmente facilitarão
a sobrevivência da organização.
Ética
é a parte da filosofia que estuda os valores de
conduta, o que é bom ou mau, certo ou errado e
os motivos que levam uma ação a ser ou não
moral. Na prática as organizações
éticas operam com padrões muito mais altos
e exigentes do que os previstos na legislação
ou nos regulamentos. E essa cultura ética costuma
contribuir para os bons resultados financeiros da empresa,
e não ao contrário, como seria de se esperar
em ambientes empresariais competitivos, por vezes bastante
afastados da moral. Parece que a ética faz sentido.
Muitas
empresas brasileiras já possuem um código
de ética, ou alguma forma de compromisso para a
liderança ética. Um documento ou um comitê
para analisar questões éticas pode não
ser suficiente. Seu uso inadequado pode acarretar multas
altíssimas, ações que lesam a organização,
denigrem a sua reputação e encerram a carreira
de profissionais maduros. Um desgaste desnecessário.
Quando a ética é compreendida em seu sentido
real, as leis e diretrizes se boas reforçam
a atitude correta dos dirigentes ou empregados da empresa.
O código de ética, se seguido com voluntariedade
e compromisso, previne e detecta violações
da lei, reduz multas e penalidades e assegura altos níveis
de conduta moral.
A
ética pode ser a mais importante defesa contra
atividades ilegais. Um componente significativo de um
processo eficaz de ética nos negócios costuma
ser um programa que sensibilize, treine e aguce a percepção
dos gerentes e dos empregados em relação
a seu papel ético dentro da empresa. A maior parte
desses programas parte de uma forma de instrução
viva, realista, dinâmica, com poucos alunos para
facilitar a interação do grupo e aulas de
no máximo quatro horas. Cada setor da empresa ou
organização tem um treinamento específico
para que se analise, com profundidade, as questões
éticas correspondentes. (...)
A
ética nos negócios deixou de ser considerada
apenas uma questão de foro íntimo. A ética
das virtudes, desenvolvida por brilhantes defensores da
ética, pode dar todos os fundamentos para uma atuação
correta, porém em nível pessoal. Dando um
passo à frente, as organizações começam
a tratar a ética desde um ponto de vista corporativo:
programas de ética, definição de
diretrizes, códigos, comitês, profissionais
especializados, tudo que promova a construção
de um clima de ética.
Em
nível mais macro, instituições internacionais
se mobilizam para conseguir que a ética esteja
presente no planejamento econômico, tecnológico,
político, jurídico, social, em todas as
esferas de atividade, em âmbito setorial, regional
ou global. Essa tendência tem gerado propostas de
legislação, criação de organismos,
acordos, uma gama de novas formas de solução
para problemas antigos.

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Países
ricos, reunidos no Fórum Econômico Mundial,
realizado entre os dias 30 de janeiro e 4 de fevereiro em
Nova Iorque, concluem que a pobreza no mundo está
gerando problemas para suas economias. A solução
para a profunda crise de quase 200 nações
não é mais uma reivindicação
somente de grupos de oposição ao Capitalismo,
mas dos próprios industriais que precisam escoar
sua produção.
Tanto o Fórum Econômico Mundial quanto o Fórum
Social Mundial não têm poder deliberativo,
mas pela grandiosidade destes eventos, com representantes
de centenas de países, os dirigentes das nações
têm a obrigação de buscar ações
que vão ao encontro do que é proposto nestes
fóruns. |
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Neste
ano os dois encontros estiveram dedicados em discutir
o mesmo tema: os efeitos da globalização,
como contornar a recessão e diminuir a pobreza
absoluta de inúmeros países, o problema
mais urgente do mundo atual. O interesse do Fórum
Econômico na recuperação dos países
pobres é obvio: a necessidade de ter bons mercados
para os produtos dos países ricos. Não é
à toa que o Japão está com sérios
problemas econômicos, que a Europa não anda
bem de saúde e que os EUA, apesar de se apresentar
como os responsáveis pelo combate ao Eixo
do Mal (países do Oriente Médio) registrou
um crescimento econômico de apenas 0,2% no último
trimestre.
Para
o o executivo da empresa Cisco Systems, John Chambers,
a globalização está deixando
muita gente de fora. Não é bom para os negócios.
Estas pessoas deveriam ser consumidoras, disse ao
se referir às milhões de pessoas que sobrevivem
com menos de um dólar por dia. Já o secretário
de Estado dos Estados Unidos, Colin Powell, associou o
terrorismo à pobreza e disse que a guerra contra
o terror ainda não terminou, justificando a necessidade
dos 350 bilhões de dólares anuais que o
país destina para a defesa. Temos que lutar
contra a pobreza, temos que lutar contra a disparidade,
temos que lutar contra a falta de esperança. Temos
que demonstrar para as pessoas que há um caminho
melhor que o terrorismo.
Apesar
disso o único país que não demonstrou
vontade de ajudar os mais pobres foram os Estados Unidos.
O secretário do Tesouro americano, Paul ONeill,
declarou que todos os países do mundo poderiam
alcançar um padrão de vida semelhante ao
dos Estados Unidos, sem a necessidade de grandes ajudas
econômicas. Para o desenvolvimento os EUA destinam
bem menos que à defesa: cerca de 10 bilhões
por ano. Isso pôs em dúvida até mesmo
os argumentos sobre o compromisso contraído há
mais de 30 anos na ONU, para que os países industrializados
destinem 0,7% de seu Produto Interno Bruto (PIB) à
Ajuda Oficial para o Desenvolvimento (AOD). O representante
da União Européia para a Política
Exterior e a Segurança, Javier Solana, acredita
que combater o terrorismo não é suficiente
e destacou a necessidade de lutar contra a pobreza, causa
de muitos problemas, e contra os conflitos regionais,
entre os quais o do Oriente Médio.
Se
para o presidente dos Estados Unidos a globalização
adquiriu um desenho militar e a pobreza é uma preocupação
pouco mais que simbólica, como denominou o jornalista
Igor Fuser na Revista Época (n° 194), violência
foi o que menos se falou no Fórum Social Mundial,
de Porto Alegre. Não adianta quebrar vidraças
do MCDonald´s. É preciso apresentar propostas
concretas em vez de lutar contra os símbolos,
escreveu a ativista canadense Naomi Klein. Esse amadurecimento
explica o sucesso da iniciativa brasileira, talvez até
mais prestigiada que o Fórum Econômico Mundial.
O jornal El País da Espanha comentou que a França,
um dos países mais ricos do mundo, enviou mais
representantes ao Brasil que a Nova Iorque. Além
de ativistas, estiveram presentes em Porto Alegre seis
ministros e três candidatos à Presidência
da França. Outras personalidades internacionais
marcaram presença: o ex-presidente de Portugal,
Mário Soares, o Secretário Geral da OIT
Organização Internacional do Trabalho,
Juan Somavía e três Prêmios Nobel da
Paz: Rigoberta Menchú (1992, Guatemala), Adolfo
Pérez Esquivel (1980, Argentina) e Médicos
Sem Fronteiras (1999).
Um
dos documentos resultado do Fórum social foi um
manifesto que critica os Estados Unidos e apela para a
criação de um organismo democrático
de mediação de conflitos e com poder de
negociação. Diz o documento que os
Estados Unidos passaram a impor por força de sua
vontade um clima de nova Guerra Fria ao mundo e
que as Nações Unidas perderam seu papel,
pois quase todos os outros governos do mundo delegam aos
EUA a função de agentes do terror
permanente. Por fim o manifesto acredita que um
mundo sem guerras é possível, sob
a condição que exista um organismo internacional
com poder e legitimidade para medir os conflitos com justiça
e eqüidade, e que represente a vontade majoritária
da humanidade de forma democrática.

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